Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Foram meses de correria. Não física, mas mental. Minha concentração, todos os meus sentidos, meu tempo integral e até meus sonhos, sim, porque sonhei noites e noites com o trabalho. Tudo dedicado ao trabalho. E você pode se questionar, alguém pediu isso? Exigiu? Ninguém além de mim. Eu sou assim. Adoro arrumar, organizar, otimizar. E não só as planilhas, algumas pessoas também.
Adoro “pegar pra cuidar”. E só largo quando, como cão mal agradecido morde a mão que o afaga. Em todo filme, minha cena preferida é o “sair de cena”. O personagem sai com dignidade, é lembrado, marca nossa memória. Eu saio de cena sem problemas, sem arrependimentos. Quando vejo que a cena não é minha, saio e espero pela minha, aquela em que sou a estrela principal. A única. Não gosto de dividir atenções.
Como minha vida tem sido voltada apenas para o trabalho, as fofocas que me cercam também são apenas daqui. Semana passada, ao cobrar um trabalho, recebi uma crítica em tons de fofoca e de péssima qualidade: “Ao invés de ajudar, ela quer é te ferrar”. E no final da mesma semana, a bomba: “está saindo da empresa”. Tanto escandalo, uma conduta nada profissional e a melhor saída de cena que já vi. Tem mais coisas obscuras, todo mundo sabe, e a verdadeira razão da saída ainda virá a tona. Por ora, apenas a idéia de este é o momento certo de sair, antes de toda mentira vir à tona.
No mesmo andar, tem namoro de aparência. E termina, volta, dá um tempo, volta. Só fico sabendo pela fofoca mesmo, porque há tempos “saí de cena”. O olhar fulminante. As ligações com desculpas esfarrapadas cobrando atitudes passadas. Ração e afago pra cachorrinho machucado. Pra mim terminou o que nem começou. Não me comovo mais, me tornei insensível a certas chantagens emocionais.
Só não entendo quem insiste no erro. Não sabe o que quer da vida dando esperanças com uma mão e tirando-as com a outra. E pior, quem acha que isso é amor e aceita essas condições. Condição de um amor incompleto, dividido. Tempo perdido até achar alguém melhor. Um dia ele muda. Um dia ela enxerga.
No fundo, a gente sempre sabe quando algo termina ou caminha pro fim. Só não aceitamos perder, julgamos que a culpa é nossa, que se tentar tem jeito, que com mais esforço a coisa arruma. E acredito que há casos que isso acontece sim, não sou descrente das mudanças.
O que acontece é que muitas vezes nos sentimos incapazes e achamos que não brilhamos porque alguém nos roubou a cena, ao invés de simplesmente sair de cena.
O trabalho não terminou, mas está muito bem direcionado. Agora não preciso mais cercá-lo e correr atrás, basta apenas mantê-lo atualizado.
E o filme, a tal vida, vou seguindo sem esperar ser a estrela principal. Eu já me contento com cenas memoráveis e saídas triunfais…










Nós sempre sabemos quando tudo termina. O problema é aceitar isso, e realmente deixar a coisa terminar… Quantas vezes eu me peguei arrastando um relacionamento apenas pra não ficar sozinho ou por pura comodidade mesmo? Odeio quando faço isso…
beijão!
A gente sabe quando termina qualquer coisa na nossa vida, porém , as vezes, adiamos tudo e vamos deixando..deixando..O mais saudável é parar pra pensar e depois tomar atitudes, não dá pra continuar a levar algo, se não estamos felizes…
Muitas vezes, também, as mudanças são invitáveis..
Sobre o filme P.S Eu Te Amo, ele é lindo, uma mensagem sobre o amor, eu e o meu namorado gostamos muito, não pude evitar de falar o quanto amava ele. Espero ter tempo para ler o livro, antes de começar as minhas aulas é claro…Agora estou lendo 1808…
Beijos, até mais e obrigada pelo comentário a respeito de livros e filmes…Acho que o melhor é ler o livro e depois ver o filme, assim não tem como não se decepcionar tanto!!
o problema é quando a gente é burra, otária retardada enão aceita muito bem o fim. esse é o problema. mas quando o fim se apresenta não tem muito jeito de vc contestar… fazer o quê? morrer? não vale a pena. a fila sempre anda e rápido… ( quem será que eu quero enganar além de mim mesma?rs…)
beijocassssssssssssssss amiga. saudades enormes de ti.
A imagem do “sair de cena” é ótima. O fato de estar ali, fazer algo e depois sair sem esperar por agradecimentos me agrada… gostei da sua visão, bem como da comparação das mentiras a surgir e os relacionamentos a acabar que nunca terminam estarem no mesmo andar.
Gosto deste seu jeito de escrever as coisas da vida.
Beijo
Ah, obrigado pelo link sobre nossa língua portuguesa…
Eu vou deixar de vir aqui…
Em cada visita a carapuça me serve como se tivesse sido feita especialmente para mim.
Eu sou daquelas que reluta em desatar nós, em afrouxar amarras, em sair de cena.
Reluto porque sei que ao sair de cena, outra pessoa vem…É egoísmo, eu sei e reconheço!
Saber que não sou insubstituível, que posso ser esquecida, trocada e bla bla bla me incomoda bastante. É como se tivesse investido tempo, dedicação em afeto em projetos falidos.
Reconheço também que tenho consciência de que preciso mudar. Sei que ao me prender a espetáculos de platéia vazia entravo algum início qualquer…
Talvez esse meu embate em decidir certas coisas em minha vida…
Aí, eu juro que não volto mais aqui!
Bjsss
“Só não aceitamos perder”
É Flavinha, saber nós sabemos mesmo, mas sempre fica quekle espírito “faca na boca”, que tenta reviver o que ja não tem vida. Aí…já é tarde.
A dificuldade é saber exatamente aceitar o fim.
Beijinho.