Poetriz

Sou um pouco de poeta e de atriz na frente do meu compoetador

Ensaio sobre a cegueira Julho 5, 2008

Arquivado em: Livros — poetriz @ 10:34 am

O interesse veio a partir dos comentários da amiga Lyani. Comecei lendo na curiosidade, sem vontade, muito mais culpa do trabalho que do próprio livro. Então a história engatou, a curiosidade de saber o final e em uma semana consegui terminar de ler o livro. Digo consegui porque leio devagar, devoro as palavras entendendo seus sentidos, volto em trechos e destaco os que gosto mais.

O livro conta a história de uma epidemia de cegueira branca, que chega do nada e sai contagiando as pessoas aleatóriamente. A princípio, os que entram em contato com alguém cego, torna-se um também. O governo pra conter a epidemia coloca os cegos e os ‘próximos a cegarem’ em quarentena. O local vago escolhido é um hospício. Apenas uma pessoa, a mulher do oftalmologista não se tornou cega, apenas mentiu para acompanhar o marido.
A partir daí a história se desenvolve. A mulher, aconselhada pelo marido, finge-se de cega. Mas uma cega que vê e tenta a todo custo, como uma consciência do grupo, manter a organização. Os cegos por sua vez, perdem a consciência social e moral. Se ninguém pode vê-los, então tudo é permitido. O caos reina entre eles. E em terra de caos, quem é cego há mais tempo é rei. Um cego de nascença, já acostumado à escuridão, faz parte de um grupo que explora e usa da violência para coagir os cegos.
Consenso e diálogo só fazem os cegos viverem com mais medo. Uma iniciativa da mulher do médico, a que tinha medo de contar que via e se tornar serviçal do grupo, dá fim a exploração. Mas a história não termina aí, porque sem quem os oprime mas garante o sustento, eles percebem-se sem alternativa a não ser sair por aí e tentar sobreviver a mercê da sorte.
A cidade está suja, imunda. Há cegos por toda parte, morando em qualquer lugar térreo que lhes dê abrigo durante a noite e saindo durante o dia em busca de algo comestível.
A mulher, única testemunha de tudo, teme pelo dia que não pode mais ajudar e se torne cega também. Mas enquanto esse dia não chega, ela busca alternativas, aconselha como mãe do grupo, lidera.

Saramago desenvolveu uma história cativante, personagens bem construídos, narrativa cinematográfica. Não encontrei uma única pessoa que tenha lido o livro e não gostado.
Meirelles está adaptando para o cinema, o filme se chama “Blindness” e teve cenas gravadas em São Paulo. Agora é aguardar pelo filme.

 

6 Responses to “Ensaio sobre a cegueira”

  1. vou ler. com certeza.
    beijocasssssssssssssssssssssssss.

  2. Aline Says:

    Oi!
    Esse livro é sensacional!
    Eu esotu bem próxima do fim desse livro. E é bem assim mesmo; você começa a ler e não quer mais parar.. outro livro dele q gostei muito também foi: Intermitências da Morte. Se vc tiver um tempo leia -o é bem interessante!
    O difícil vai ser o filme chegar ao nível do livro… mas
    sem subestimações!

  3. Hanny Meire Says:

    Ah, eu destesto o Saramago… não gosto nem dele nem dos livros dele….beijos !

  4. cara… esse livro é fantástico! foi o primeiro que li do saramago e me apaixonei pela escrita do autor. Sempre muito envolvente e reflexiva. Gosto de tentar resumir livros em perguntas. Se isso fosse possível com Ensaio sobre a Segueira seria: “o que nós, humanos, somos?”.

  5. Thami Says:

    Já ouvi falar bastante bem desse livro, mas agora eu estou mesmo morrendo de vontade de lê-lo! Uma delícia ler as suas dicas de leitura (ainda mais quando elas vêm em plenas férias!)

    :*

  6. Talvez seja este o próximo que lerei. Agora estou no ” Ensaio sobre a lucidez” que também é bem envolvente.

    Bj,


Leave a Reply