O Templo

O Templo

Lembro de quando eu trocava emails diários com um amigo. Eu tenho essa mania, de trocar emails como quem conversa no msn – disse um outro amigo. Daí veio a faculdade dele, veio a nova namorada, a antiga namorada, a ex-namorada, o emprego antigo, o emprego novo e milhões de piadas enviadas.
Semana passada chegou um email daqueles, de quando a gente batia papo, contava as coisas ou simplesmente gargalhava enquanto digitava coisas sem sentido. Ele queria saber do templo, pretendia ir lá passear. Dei as informações e por um triz não me ofereci pra ir junto. Só desisti por causa do dente.
Ele aparentemente foi sozinho, como vi nas poucas fotos. Porque claro, não se aparece em muitas fotos quando se está sozinho.
O templo é lindo, já fui uma vez e paguei muitos micos, o que aliás, renderia uma ótimo post.
Isso me fez refletir que há tempos deixei de sair sozinha, coisa que fazia com frequencia. Talvez minha dentista tenha razão: “quando temos trinta, estamos mais perto dos quarenta que dos vinte”.  E eu pergunto, quando foi que eu perdi essa vontade, essa independência, essa alegria? Como? Por que? Nem posso dizer que ando interiorizada, porque nem isso estou. Tenho vivido como quem não sabe viver.
Contruí um templo em volta de mim e esqueci de criar portas. Aqui dentro é silêncio. E o barulho que vem de fora não me assusta, apenas alimenta minha curiosidade. Mas não sei como sair daqui.

6 respostas »

  1. Uma vez também criei um mundo no qual me fiz prisioneiro, há muitos jeitos de sair, mas acho deveria abri-lo a visitação. Fica tudo um tanto mais belo.
    Beijos

  2. Flávinha, estou passando pelos mesmos sentimentos que você… no meu caso, os 40 estão mais perto ainda! e de repente, parece que eu vivi para não fazer nada… para não ser ninguém… é estranho, dá uma vontade estranha de deixar o mundo para mais tarde…

  3. Sou dos que pensa, que pra viver, não é necessário sair sempre. Não há nenhuma necessidade de ver o sol nascer, nem se por. Nem de ir a praia, nem ao shopping, nem conhecer lugares inusitados. “Tenho vivido como quem não sabe viver”… E quem é que sabe querida, quem é que sabe?

  4. querida, derrube seus muros e comece a construir pontes. nao sei se é o temop, o fato é q aos 30 comecei a levantar os meus proprios muros, aos 38 tudo ruiu, e eu era só destroços. hoje, aos 40, tem pontes pra todos os lados, e to muito mais feliz.
    um beijao.
    fé.

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