- (…) E o amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam se amar, querida. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.
- Meu coração se partiu com tanta força da última vez – falei – que ainda está doendo. Não é uma loucura? Ainda estar com o coração partido quase dois anos depois do fim de uma história de amor?
- Querida, sou do sul do Brasil. Sou capaz de ficar com o coração partido durante dez anos por causa de um mulher que nem cheguei a beijar.Elizabeth Gilbert in “Comer, Rezar, Amar”
Arquivo do mês: fevereiro 2010
Coração Partido
Arranjo universal
Como eu disse, deveria haver um sistema diferente. Deveria haver algum tipo de arranjo universal que não deixasse espaço para mal-entendidos. Poderia envolver sinais de mão, talvez. Ou pequenos adesivos discretos presos na lapela, com código de cores para diferentes mensagens:
Disponível/Não disponível.
Com relacionamento/Sem relacionamento.
Sexo iminente/Sexo cancelado/Sexo meramente adiado.
De que outro modo a gente vai saber o que está acontecendo? Como?
Na manhã seguinte pensei muito e com intensidade e não cheguei a lugar nenhum. Ou a) Nathaniel ficou ofendido com minhas referências ao sexo e não está mais interessado ou b) ele está bem, tudo continua de pé, ele só estava sendo homem e não dizendo muita coisa, e eu deveria parar de ficar obcecada.
Ou algo no meio.
Ou alguma outra opção que nem considerei. Ou …
Na verdade acho que isso cobre as hipóteses. Mas mesmo assim. Estou totalmente confusa só de pensar.Sophie Kinsella in “Samantha Sweety, Executiva do lar”
Estranho comportamento
Esse estranho comportamento se deve ao fato de que nossos corpos não são feitos só de carne e sangue; eles são feitos de palavras.
Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Conchas ou Asas?”
Viver minha própria vida
O Bhagavad Gita – aquele antigo texto iogue indiano – diz que é melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição. Então agora comecei a viver a minha própria vida. Por mais imperfeita e atabalhoada que ela possa parecer, ela combina comigo, de alto a abaixo.
Elizabeth Gilbert in “Comer, Rezar, Amar”
Amo meu assassino
- Tu me revelaste agora quanto tens sido cruel… cruel e falsa. Por que me desprezaste? Por que traíste teu coração, Catarina? Não posso dirigir-te uma só palavra de consolo. Mereceste tua sorte. Tu mesma te mataste. Sim, podes beijar-me e chorar, arrancar-me beijos e prantos: eles te queimarão… eles te danarão. Tu me amavas… que direito tinhas então de me deixar? Que direito… responde-me… por causa do miserável capricho que sentiste por Linton? E quando nem a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem nada que Deus ou satanás pudesse infligir-nos poderia separar-nos, tu, por tua própria vontade, o fizeste. Eu não parti o teu coração… foste tu que o quebraste e, quebrando-o, quebraste também o meu. E tanto pior pra mim, que sou forte. Tenho eu necessidade de viver? Que vida será a minha quando… Oh! Deus! Terias tu vontade de viver com tua alma metida em um túmulo?
- Deixa-me sozinha. Deixa-me sozinha – soluçava Catarina. – Se tenho a culpa, morrerei por causa dela. Basta! Tu também me abandonaste, mas não me queixarei! Eu te perdôo. Perdoa-me também!
- É dificil perdoar olhando esses olhos, tocando essas mãos descarnadas – respondeu ele. – Beija-me de novo, mas não me deixes ver teus olhos! Eu perdôo o que me fizeste. Eu amo o meu assassino… Mas o teu! Como o poderia eu perdoar?
- Emily Bronte in “O Morro dos Ventos Uivantes”
Migalhas
Sinto muito
Mas não vou medir palavras
Não se assuste
Com as verdades que eu dizer
Quem não percebeu
A dor do meu silêncio
Não conhece
O coração de uma mulher
Eu não quero mais ser
Da sua vida
Nem um pouco do muito
De um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas
Do seu amor…
Quem começa
Um caminho pelo fim
Perde a glória
Do aplauso na chegada
Como pode
Alguém querer cuidar de mim
Se de afeto
Esse alguém não entende nada
Eu não quero mais ser
Da sua vida
Nem um pouco do muito
De um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas
Do seu amor…
Não foi esse o mundo
Que você me prometeu
Que mundo tão sem graça
Mais confuso do que o meu
Não adianta nem tentar
Maquiar antigas falhas
Se todo o amor
Que você tem pra me oferecer
São migalhas, migalhas…
Eu não quero mais ser
Da sua vida
Nem um pouco do muito
De um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas
Do seu amor…
♪ Letra de Erasmo Carlos
Mente de macaco
Como a mair parte dos humanóides, carrego o fardo daquilo que os budista chamam de “mente de macaco” – pensamentos que pulam de galho em galho, parando apenas para se coçar, cuspir e guinchar. Desde o passado remoto até o futuro desconhecido, minha mente fica pulando a esmo pelo tempo, tendo dúzias de idéias por minuto, descontrolada e sem disciplina. Isso, em si, não é necessariamente um problema; o problema é o apego emocional que acompanha o pensamento. Pensamentos felizes me tornam feliz, mas – vupt! – com que rapidez torno a me prender a preocupações obsessivas, estragando a felicidade; e então basta a lembrança de um momento de raiva pra eu começar a ficar exaltada e brava de novo; então minha mente decide que aquela pode ser uma boa hora para começar a sentir pena de si mesma, e a solidão não demora a chegar. Afinal de contas, você é o que você pensa. As suas emoções são escravas dos seus pensamentos, e você é escravo de suas emoções.
O outro problema de toda essa pulação pelos galhos do pensamento é que nunca está onde está. Você está sempre remoendo o passado ou especulando sobre o futuro, mas raramente pára no momento presente. É um pouco como o hábito da minha amiga Susan, que – sempre que vê um lugar bonito – exclama, quase me pânico, “Que lindo isto aqui! Quero voltar aqui algum dia!”, e preciso lançar mão de todo o meu poder de persuasão para tentar convence-la de que ela já está lá.Elizabeth Gilbert in “Comer, Rezar, Amar”
Persépolis
Eu sei que o filme da moda é Avatar, mas Persépolis é fenomenal. Persépolis é um filme francês de animação de 2007, baseado no romance gráfico autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi. O filme foi escrito e dirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud.
Marjane é uma jovem iraniana de oito anos, que sonha em ser uma profetisa do futuro, para assim salvar o mundo. Querida pelos pais cultos e modernos e adorada pela avó, ela acompanha avidamente os acontecimentos que conduzem à queda do xá e de seu regime brutal. A entrada da nova República Islâmica inaugura a era dos “Guardiões da Revolução”, que controlam como as pessoas devem agir e se vestir. Marjane, que agora deve usar véu, deseja se transformar numa revolucionária. Mas, para tentar protegê-la, seus pais a enviam para a Áustria.

Doente de aniversário
Em Bali, o dia da semana em que você nasceu é mais importante do que o ano, e é por isso que, embora Ketut não saiba a própria idade, foi capaz de me contar que o patrono das crianças nascidas nas quintas-feiras é Shiva, o Destruidor, e que o dia tem dois espíritos-guias animais: o leão e o tigre. A árvore oficial das crianças nascidas em quintas-feitas é a figueira-de-bengala. Seu pássaro oficial é o pavão. Quem nasceu em uma quinta-feira é sempre o primeiro a falar, sempre interrompe todos os outros, pode ser um pouco agressivo, tende a ser bonito, mas, de forma geral, tem um caráter decente, com uma memória excelente e um desejo de ajudar os outros.
Elizabeth Gilbert in “Comer, Rezar, Amar”
Claro, que lendo isso fiquei curiossíma pra descobrir em que dia da semana eu tinha nascido e já estava lamentando ter que pesquisar na internet (e quem sabe não encontrar) caso tivesse nascido numa segunda-feira, por exemplo. Mas veja a generosidade divina: nasci numa quinta feira. =)
A prece
Fez uma prece a vida inteira, silenciosa é verdade. Não confessava nem pra Deus o que queria de fato, mas conhecia aquela história de que Deus ouve o nosso coração e as palavras antes de chegarem aos nossos lábios. Contava e confiava nisso. E por isso, a prece.
Então a prece silenciosa foi atendida… pra outro fiel.
Infiel, gritou silenciosamente!
Sentiu-se o filho mais velho*, sempre presente, rejeitado.
E a festa acontecendo, a alegria do presente divino.
O sacrifício em louvor foi feito, o sangue derramado escorria de seu coração.
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* Referência a parábola do “Filho Pródigo” – Lc 15



