Parece tanta coisa, mas é só tristeza. Tristeza dessas de quem sabe que não vai acontecer, que não vai ter, que não vai chegar. Conformismo.
Talvez seja essa cidade. A minha, a tua. Cinzenta, longínqua. Essas distâncias que até transporíamos se não fosse esse medo, essa tristeza, esse conformismo.
É que um dia se cansa de lutar contra o inevitável. Não existe mais esperança, não existe mais sonho. Há de se conformar com a solidão noturna, soturna, inoportuna. Sinto que não seguimos mais o mesmos passos, nem o mesmo caminho. É como se tivesse desperdiçado a vida numa batalha perdida. Rendição. Eu só luto pra ganhar e na primeira dificuldade desisto de mim. Porque sou fraca.
Mas o meu consolo é que não há ‘bendito fruto de meu ventre’ para que eu possa passar essa sina. Karma. Desejo que as novas gerações que hão de vir sejam mais independentes.
Há tempos tive um sonho. Havia eu e você no sonho. E o resto eu não me lembro. Ou acordei antes de terminar. Prefiro o interminado a finais infelizes.
Não entendo como você simplifica a tristeza. Ou fica-se triste por isso ou por aquilo. Eu, sou triste por natureza.
Reparou a noite linda? Céu estrelado. Há tempos não via o céu tão luminoso assim. Já havia me acostumado à escuridão desse quarto.
Se eu pudesse gritar, ah se eu pudesse. Mas isso poderia lhe ferir os tímpanos e o coração. E porque há o direito ao silêncio, me calo.
E quem disse que é certa essa minha atitude? Condena-me. Liberta-me dessa angústia que é viver sem você. Com você. Por você. Liberta-me! Você tem esse poder.
O peso de julgar é pesado demais, não aguentarias, eu sei. Então aceitas. Aceitas que eu me martirize e não se compadece de minha tristeza.
Eu vejo os jovens passando por mim na rua, indiferentes à tristeza que carrego no coração. Não sabem que eles sofrerão mais que eu, quando chegarem a minha idade. Porque eles se entregam para preencher o vazio e não sabem que o vazio só se preenche sozinho. Diferente da tristeza.
O meu tormento te faz livre. Não te cobro nada, não te exijo nada, não te espero nada, para que sejas completamente livre. E livre de tudo, ame.
Não me dedique tua compreensão, tua piedade. Sou mais forte do que essas palavras possam transparecer.
Que essa bondade, se assim posso chamar, de não condernar-te a me amar, de não permitir que tenha que decidir entre mim e o mundo de oportunidades mais fáceis e melhores que lhe aparecerão. Que isso me seja recompensado.
O amor é como uma bebida saborosa, viciante e embriagante. Provei dela uma vez mas…
mar28
depois que aprendi a amar assim, de forma tão livre, nunca mais alguém pousou dentro de mim… a liberdade também tem seu preço…
Nunca vi descrição tão simétrica de minha vida
Poxa, tinha escrito um comentário tão bonitinho, mas deu erro aqui. Bem, queria dizer que descobri, por acaso, seu blog e estou muito feliz por isso, adoro seus textos, as citações, tudo! Por acompanhar pelo reader, não costumo comentar aqui, mas toda vez que ele mostra uma postagem nova eu já abro um sorriso porque sei que é garantia de um pouco mais de poesia no meu dia. Parabéns!
Lindo.
E concordo com a Débora, “a liberdade tem seu preço”. Mas saiba que a gente fica ainda mais forte depois que aprendemos e entendemos a viver libertos.
Me identifico demais com o trecho: – “Que essa bondade, se assim posso chamar, de não condernar-te a me amar, de não permitir que tenha que decidir entre mim e o mundo de oportunidades mais fáceis e melhores que lhe aparecerão. Que isso me seja recompensado.”
Amém!
Beijo