Ele apareceu pra o único adeus.
Não haveria outros assim como não houve o fim.
Acabou há tanto tempo como acaba a escuridão da noite e inicia o dia.
Quase ninguém percebeu.
Nem a gente mesmo.
Estranhamente não fiquei surpresa ou triste.
E não estava anestesiada de perdão.
Agora era indiferença, reconheço bem.
De algo que um dia queimou e doeu
E já não existe mais.
Nem cicatriz deixou, nem marcas, nem saudade
O que ficou afinal?
Ficou a história, se alguém se importasse em registrar.
Porque eu não me importo mais.
Arquivo do mês: abril 2010
Único adeus
Conversas paralelas
Ontem presenciei uma conversa no mínimo curiosa sobre castidade. Não vou julgar, nem criticar, nem elogiar. Mas dali, “salvei” um trecho bem interessante:
”Namorado é aquele amigo que é a primeira pessoa que você pensa pra tudo, pra qualquer hora.
E se essa pessoa também pensa em você pra tudo, pra qualquer hora… então vocês darão certo.”
Gripe
Fui ao médico passando mal da gripe. Ele informou que por causa da vacina ele não podia fazer nada, já que ele tem que deixar meu corpo reagir por conta própria contra o vírus da gripe.
Talvez, se meu corpo não tiver forças suficientes, eu morra.
E esse blog acabe.
Culpem ao médico que deve ter se formado num desses cursos por correspondência.
Topblog 2010
Recebi dois emails me indicando. Não sei se é spam, mas me inscrevi. Portanto, votem em mim!
Ainda não fiz meu discurso de eleição, mas prometo continuar a postar citações quase que diariamente…

PS: Não sei como se vota. Acho que é pesquisando o nome do blog nesse site. =S
Amar se Aprende Amando
Esse é o título do livro que estou lendo atualmente. Confesso que esperava muitos versos apaixonados, declarações de amor, amores incompreendidos, platônicos, bem ao meu estilo. Mas quase não tem poemas de amor!
Minto, tem muito poema de amor mas não de amor romântico.
A coletânea conta com vários poemas endereçados a pessoas que não conheço e parecem próximas ao autor (Carlos Drummond de Andrade) que fez versos pra aposentadorias, aniversários, mudanças, mortes e outras coisas cotidianas.
Enfim, o título não podia ser o mais correto possível: ”amar se aprende amando”. E só se ama no dia-a-dia, entre maus humores e desabafos, entre entusiasmos e festinhas, entre longas despedidas e boas vindas.
Dívida
Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder de vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.- Luís de Camões
A estação de metrô Tatuapé, em São Paulo está enfeitada com várias poesias. Algumas vezes da semana, eu tomo o metrô em frente a essa poesia do Camões.
Mulheres
há mulheres
que têm diversos namorados
depois casam e têm diversos filhos e filhas
eventualmente um ou dois amantes
e chegam no fim da vida
sem nunca sentirem-se amadas como as artistas
há mulheres
que tiveram uns poucos flertes ligeiros
no máximo um amor platônico
não casam, não fazem filhos
cultivam meia dúzia de amigos
e nunca se sentem benquistas
há mulheres
que preferem ficar sozinhas
não amam senão viagens, plantas e espelhos
e no entanto os homens morrem por elas
largam a família, se atiram a seus pés
amam estas mulheres com o amor mais
puro que existe,
e nem isso conquista
fraqueza, defeito
desvio cultural
herança genética, trauma de infância
carência existencial
vá saber a razão
para tanto
eu te amo ocasional
nenhuma mulher se sente
amada o suficiente
desistaMartha Medeiros in “Poesia Reunida”
Era bonito
foram tantas noites de insônia
roubando os poucos anos que tinha
perdi a conta dos prantos
contei carneiros e os dias
e os dias nunca passavam
ou passavam e eu não via
ficava um aperto no peito
nem tudo entendia como era
mas que era bonito eu sabia- Martha Medeiros in “Poesia Reunida”
Mapa do tesouro
Eu tendo a não acreditar em citações soltas desde que fui enganada por uma. Não sei dizer exatamente qual delas. Mas fui enganada. Plágio? Talvez. Eu acredito mais na falta de informação.
Desde que fui enganada quero saber nome, rg, cpf, livro, editora, ano, página, inspiração.
Vejo citações lindas por aí, morro de vontade de trazer pra cá, mas tenho medo de me enganar e enganar a quem me lê.
Por isso eu escolhi ler. Leio também porque gosto. E na verdade não compartilho o que leio por simples prazer. A verdade escancarada é que eu, de forma egoísta, recolho pedras preciosas encrustadas nas folhas dos livros. Guardo num baú do tesouro virtual.
E o mais esplêndido desse tesouro é que ele é infinito! A todo momento posso encontrar um brilho novo durante uma história lida.
Por isso não aceito citações soltas, sem determinar a obra de onde foi retirada. Isso seria aceitar pedras sem saber a autenticidade.
E citar sem mencionar a obra, é como deter o mapa do tesouro e não revelá-lo a ninguém. E verdadeiras jóias ficam perdidas pra sempre…



