Soneto de Montevidéu

Soneto de Montevidéu

Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantaste
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.

Não te esqueças de mim, que desvendaste
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.

Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tarda

Ao amante dulcíssimo que fiz-me
À tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.

Montevidéu, 1959
Vinicius de Moraes in “Pra viver um grande amor”

Uma resposta »

  1. Nao te rias de mim que as minhas lagrimas Sao agua para as flores que plantaste No meu ser infeliz e isso lhe baste Para querer-te sempre mais e mais.

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