Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantaste
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.Não te esqueças de mim, que desvendaste
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tardaAo amante dulcíssimo que fiz-me
À tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.Montevidéu, 1959
Vinicius de Moraes in “Pra viver um grande amor”
jan30
Nao te rias de mim que as minhas lagrimas Sao agua para as flores que plantaste No meu ser infeliz e isso lhe baste Para querer-te sempre mais e mais.