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Arquivo do mês: maio 2011

Quando se é perfeita

– Shay, eu nunca me acostumaria à ideia. Não quero ser uma feia para o resto da vida. Quero aqueles olhos e lábios perfeitos, quero que todos me vejam e fiquem impressionados. E que todos que me virem perguntem “quem é ela?” e queiram me conhecer e queiram ouvir o que tenho a dizer.

– Prefiro ter algo a dizer. (…) Estamos falando de me tornar o que eu quero me tornar. Não o que um comitê cirúrgico pensa que eu devia ser.

– Shay, você continua sendo a mesma por dentro. A diferença é que, quando se é perfeita, as pessoas prestam mais atenção.

Scott Westerfeld in “Feios”

 
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Publicado por em maio 31, 2011 em Verso & Prosa

 

Tem que provar

O autor e filósofo chinês Lu Xun disse certa vez que “a primeira pessoa que experimentou um caranguejo deve ter provado uma aranha também, mas percebeu que não era boa para comer.”

- Xinran in “As Boas Mulheres da China”

 
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Publicado por em maio 30, 2011 em Xinran

 

Dancing for cancer

 
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Publicado por em maio 29, 2011 em Filmes & Séries

 

Simples decisão

Iria mais tarde refletir que você nunca sabe com quem vai cruzar o seu caminho. Você apenas nunca sabe como uma simples decisão de ir para a esquerda ou à direita numa curva podia mudar as coisas. Algumas vezes as escolhas não importavam. Outras… levavam você a lugares inesperados.

- J.R. Ward in “Amante Meu”

 
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Publicado por em maio 28, 2011 em Verso & Prosa

 

Sinos badalem

Embora queira que para me animar sinos badalem enquanto adivinho a realidade.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 
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Publicado por em maio 26, 2011 em Clarice Lispector

 

Múltipla

Nunca foi única, ao mesmo era isso que achava.
Tinha irmãos, não era unigênita.
E mesmo o namorado, era casado.

Gostava de história, em quadrinhos.
E de lendas medievais, mitologia.
Um dia imaginou-se personagem
E foi lá ser, jogar RPG.

Foi princesa e dragão,
Ninja e ciberpata.
Coadjuvante e mestre de muita aventura.
Descobriu-se capaz de liderar exércitos
E ser o próprio exército
A criar ficções ou personagens exclusivos
Concluiu sua história, sozinha.

De tantos personagens chegou a conclusão
Que era múltipla de si mesmo.

 
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Publicado por em maio 25, 2011 em Poetriz

 

Passado

Guardou todo o passado numa caixa de papelão.
Fotos, agendas, roupas, recordações.
Empacotou e prendeu com fita adesiva.
Escondeu de si mesma em cima do armário
No sótão de sua casa [o coração].

Tanto tempo passado, esperava não mais lembrar
Mas o passado insistente, sempre vinha procurar
Remexia-se dentro da caixa, encontrava frestas pra espiar
A caixa desintegrava-se, cinzenta de poeira acumulada
O papel mofado, lar de aranhas e outros insetos.

As vezes quando dormia ouvia sussurros e barulhos estranhos
Era o passado insistindo em ser presente, costante, pra sempre.
Ela rezava que a fita não desprendesse, que a caixa se perdesse
E chorava de saudade e remorço antes de dormir novamente.

Um dia inventou um plano, ia mudar de endereço
Ia largar a caixa de herança pro próximo morador
Escolheu a mobília a dedo, avisou que o que sobrasse
Devia ser enviado à caridade, exceto pela caixa
Que devia ser queimada [e calada] pra nunca mais.

E na nova casa, limpa e branca novidade
Quem podia imaginar que a noite ela ouviu o mesmo som
De alguém querendo libertar-se: era o passado!
O morador antigo, coincidência, também tinha um segredo
O passado dele, guardado, escondido, fantasma dessa casa

 
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Publicado por em maio 24, 2011 em Poetriz

 

Profissional

Mas acontece que só escrevo o que quero, não sou um profissional

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 
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Publicado por em maio 23, 2011 em Clarice Lispector

 

Como saber se alguém está a fim da gente?

Para Hugo.

A verdade, é que eu não sei. Interpretar os sinais é muito difícil!
As vezes conhecemos alguém que nos parece sempre interessante, conversamos sobre muitas coisas, temos muito em comum, sentimos algo diferente como se toda aquela atenção fosse algo mais, como se a pessoa esperasse uma aproximação de nossa parte.
Aí começa o problema, porque não gostamos da rejeição e dificilmente tomamos o primeiro passo sem a certeza de que ou vai dar certo ou não nos importamos de quebrar a cara dessa vez.
E mesmo quem passou dessa fase e conseguiu fazer o convite de tirar a pessoa desse contexto que a conhecemos: escola, trabalho, etc, ainda corre o risco de ter interpretado errado os sinais. Então recebe um “não” disfarçado de compromisso que tinha esquecido, de amiga doente, de não era bem assim. A rejeição disfarçada nos deixa mais confusos! Porque não sabemos se foi um não ou se realmente havia uma verdade. E os corajosos insistem!
E se há um “sim”? Também não é bom sinal, afinal e agora? Como agir, o que falar, pegar na mão, dar um beijo no rosto, na boca, no pescoço? Quanta dúvida! E de tanto nervosismo as vezes nem vemos que somos nós que passamos a mensagem errada: era só amizade.
Mas a vida é um risco a se correr e não devemos perder tempo com medos e inseguranças. Um não pode ser o começo de uma maturidade emocional, um sim também pode voltar numa grande amizade.
Talvez aquela pessoa seja apenas interessante, apenas amiga. Talvez ele olhe sempre na sua direção e não te enxergue.
Quem sabe se o sinal não estava claro desde o início: nós é que somos especiais, nós é que somos interessantes. Era apenas reflexo da nossa personalidade. Quem sabe não era esse nosso desejo incessante  de se apaixonar, de dar nosso coração pra alguém cuidar que nos fez entender tudo errado?
Até hoje, olhando para o céu da manhã, não sei dizer se vai chover no fim do dia. Quanto mais entender as pessoas!
Enquanto não me torno perita em meteorologia,  carrego um guarda chuvas na bolsa todo dia. E um sorriso no rosto, pra quem quiser se aproximar.

 
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Publicado por em maio 22, 2011 em Desabafo, Poesia

 

[VW] Find the opera house La Fenice, The Phoenix

Seu objetivo era o “La Fenice”, o teatro que lírico de Veneza. Diversas vezes destruído, diversas vezes reedificado, sendo que a última destruição em 1996 foi provocado: as chamas foram induzidas por um eletricista, Enrico Carella, na tentativa de evitar punições contratuais por um atraso no serviço que lhe havia sido encomendado.
Imaginou o teatro completamente em chamas, imaginou-o com resquícios de crueldade: cheio de pessoas apavoradas, correndo em chamas, gritando de pavor. Imaginou uma solo de barítono, uma orquestra compondo uma ópera viva, o aplauso final.
A rua do teatro, “Calle de la Verona”, remetia ao amor proibido de Romeo e Julieta? Tragédias! Esse teatro era portador de todas as tragédias do mundo!
Antes de subir os sete degraus olhou a inscrição na fachada, as bandeiras, as colunas romanas. A fachada escondia o esplendor de seu interior. Era majestoso, com cinco andares de camarotes, ornado com pinturas e estátuas de querubins. E além do gigante lustre no teto, luzes menores em todos os camarotes deixavam o teatro de cor dourada.
Sentou e abriu seu folheto sem interesse para ver que peça iria ver. Lembrou-se de uma outra vez que esteve nesse mesmo teatro, da moça de cabelos cacheados sentada mais à frente. Ela vestia um lindo vestido verde que ressaltavam a claridade de seus olhos. Seu pescoço estava enfeitado com uma jóia cheia de brilhantes que refletiam a luz do teatro. Seu cabelo estava preso ao alto da cabeça deixando apenas umas poucas mechas caídas, seu pescoço estava à mostra. Ele não lembrava que peça havia visto aquele dia, talvez fosse a mesma dessa noite, a única lembrança viva que tinha era daquele pescoço nu convidando-o para um banquete.
Em certo momento ela levou a mão ao pescoço e foi a unica vez que ele distraiu-se. Ela olhou para trás também, como se sentisse alguém encarando sua nuca o tempo todo, mas não encontrando nada no escuro voltou a olhar para a frente.
Naquela noite seguiu a moça até em casa, disfarçado na escuridão das ruas de Veneza. E sentia o corpo reagindo ao lembrar do que veio em seguida…
Então ouviu um sinal sonoro três vezes, as luzes se apagaram, a cortina se abriu, a peça ia começar.

 
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Publicado por em maio 21, 2011 em Contos

 
 
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