Uma vez eu tive uma prece atendida.
Pedi um amor, pedi especificamente que fosse “ele”, pedi que se aquela história fosse pra ser que fosse, e se não fosse, que me afastasse de tudo.
Ele, eu só via de longe, raramente, quando frequentava um grupo. Nos intervalos ele vinha conversar, porque afinal, eram poucas as pessoas de nossa idade naquele lugar. De tantas conversas, veio o desabafo de que ele se sentia infeliz. E eu, ingenuamente, achei que podia faze-lo feliz.
Aconselheio-o infinitamente, sempre para que ele continuasse e tivésse forças em sua vida. Nunca, jamais, disse que ele desistisse de tudo pra ficar comigo.
Essas confidencias gerou outro tipo de intimidade, a do carinho e carícias. Sentíamos uma necessidade enorme de nos tocar: mãos juntas, abraços, sentávamos lado a lado.
Então fui aconselhada a me afastar. Todo mundo avisou. Todo mundo era contra. Todo mundo sabia o final dessa história. Eu sabia o final, mas ainda acreditava nas pessoas, acreditava que todas elas valiam a pena.
Um dia ele me chamou e disse que precisava muito falar comigo. Tremi, senti um frio na barriga, tinha chegado o dia! E sim, ficamos juntos.
Ele me convenceu de tanta coisa. Me levou por caminhos sem volta, principalmente o da mentira. Ele mentia. E eu passei a mentir.
Tudo era novo pra mim. As ligações, a cobrança, os elogios, os passeios, os planos de futuro, aquilo que ele chamava de amor.
Dentro de mim eu sempre soube que faltava algo, mas eu achava que era pela minha inexperiência em relacionamentos.
Até que um dia estava tudo bem e no outro não estava mais. De repente existia uma exigência, uma frustração contida, uma cumplicidade que eu não via, não sentia nada daquilo.
E uma viagem, essa separação temporária, foi providencial para eu refletir. A distância me fez perdoar, me fez mais cega até que uma ligação me revelou que eu fui cega o tempo inteiro.
Então como um castelo de cartas, tudo desmoronou. Uma única verdade colocou todas as mentiras escancaradas como uma janela aberta.
A minha volta só foi para deixar registrado o fim que já era conhecido. Houve um desencontro e por isso não houve discussões, não houve tentativa de reconciliação. Depois, bem depois, só um telefonema com um último desabafo dele, que sentia-se ofendido, ultrajado. Foi sua última mentira.
Acredito que foi nessa época que deixei de acreditar nas pessoas. E pior, deixei de acreditar em mim.
Também fiquei muitos anos sem fazer orações pedindo um amor.
Então um dia eu pedi novamente.
E tive medo de ser atendida.
jun26
Já escrevi e apaguei este comentário algumas vezes, desisto, deixo apenas o que me serve: Que venha o que eu gosto, o que eu quero, que depois em me viro prá “ajeitar” o que restou. Fiz muuuitas escolhas erradas e ainda hoje sofro por algumas, mas “amo muito tudo isso”!
Bj
Não tenha medo de pedir, mas peça um amor só seu.Dividir é sofrer. Um beijo!