Punha aspas

Punha aspas

Mentiras. Tornavas tua uma graça que era minha, e essa anedota voltava para mim, aumentada, aviltada pelos pontos de humor que tinhas ganho entretendo o coração de alguém, à minha custa. Quando nos conhecemos não eras assim. Citavas-me.
Punhas aspas. O teu encanto era essa – tão rara – cintilação de aspas. Dizias: “Fulano disse-me, Cicrano contou-me”.
Sublinhavas a inteligência e a beleza das palavras dos outros.

Inês Pedrosa in “Faz-me falta”.

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