Olhei para as suas pernas. Depois acariciei-lhe um dos joelhos. Beijei-a. Ela retribuiu-me como só retribui uma mulher solitária.
Charles Bukowski in “Mulheres”
Arquivo do mês: setembro 2011
Mulher solitária
Quando Deus Aparece
De fato, Deus não está em promoção, se exibindo por aí.
Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós.
(…)
Deus me aparece nos livros, em parágrafos que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
(…)
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer.- Martha Medeiros in “Ser feliz”
Possibilidades
A morte é terrivelmente final, ao passo que a vida está cheia de possibilidades.
R.R. Martin in “As Crônicas de Gelo e Fogo Livro 1: A Guerra dos Tronos”
Cartas para Ninguém – IX
M.
Eu não te amo.
Talvez seja muito forte começar algo com uma afirmação dessas, mas é preciso ser clara e objetiva.
Porém eu penso em vocês, às vezes. E isso deve ser um bom sinal.
Quando o telefone toca e vejo seu nome no visor, sinto um calafrio. É mais medo que amor. Você pode me perguntar como sei distinguir, mas se fosse amor, todas as vezes que eu fosse ao seu encontro sentiria borboletas em meu estômago. Nunca as senti.
Ao contrário, quando ia se aproximando a hora do nosso encontro começavam as disfunções estomacal, intestinal e exaqueca. Meu corpo repele você.
Mas mesmo assim, sigo em frente, quero cumprir com nosso compromisso. Sou uma mulher de palavra.
Depois de várias ligações não atendidas, resolvi te ligar. Menti pra você dizendo que não ouvi chamar.
Então me diz que queria me ver, mas justifica que não poderá ser hoje. E com alívio, eu acredito.
Não te amo, não te ligo, e insistes em me procurar.
Ou tens muito medo de ficar sozinho.
Ou…
F.
Beijar é íntimo
Beijar é muito mais íntimo do que foder. E por isso que nunca gostei que as minhas namoradas beijassem outros homens. Preferia que fodessem com eles.
Charles Bukowski in “Mulheres”
Sites de Relacionamento
Se eu fico umas semanas sem entrar num determinado site de relacionamento, incrivelmente recebo um email ou uma piscadinha. Particularmente acho que isso é coisa do site, pra me induzir a voltar lá nem que seja pra conferir quem mandou, sabe, pra manter a “clientela”.
Como meu perfil é básico, então não posso ler emails nem nada e raramente alguém deixa uma mensagem cifrada com o endereço de contato. Então, basicamente, não serve pra nada meu cadastro lá… rsrsrs
Tem anúncios ótimos!
Dia desses encontrei um onde o rapaz se dizia sincero, romantico, carinhoso, esportista, que gostava de curtir a vida e todo aquele marketing pessoal. Aí, no meio dos auto-elogios, ele confessa que gosta muito de sexo, mas muito mesmo, a toda hora e em todo lugar. Então começa a citar lugares e momentos. Bom, metade do texto dele é isso. Pelo menos ele avisou!
Outro queria alguém que não reclamasse quando ele ficasse jogando videogame até tarde ou aos finais de semana com os amigos. Ou seja, não queria disputa de atenção. Cada um tem suas prioridades né?
Tudo em ti foi naufrágio
Era a negra, negra solidão das ilhas,
e ali, mulher do amor, me acolheram os seus braços.
Era a sede e a fome, e tu foste à fruta.
Era o duelo e as ruínas, e tu foste o milagre.
Ah mulher, não sei como pode me conter
na terra de tua alma, e na cruz de teus braços!
Meu desejo por ti foi o mais terrível e curto,
o mais revolto e ébrio, o mais tirante e ávido.
Cemitério de beijos, existe fogo em tuas tumbas,
e os racimos ainda ardem picotados pelos pássaros.
Oh a boca mordida, oh os beijados membros,
oh os famintos dentes, oh os corpos traçados.
Oh a cópula louca da esperança e esforço
em que nos ajuntamos e nos desesperamos.
E a ternura, leve como a água e a farinha.
E a palavra apenas começada nos lábios.
Esse foi meu destino e nele navegou o meu anseio,
E nele caiu meu anseio, Tudo em ti foi naufrágio!- Pablo Neruda in “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”
Das coisas que só acontecem em São Paulo
Outro dia tinha um rapaz usando um cocar no metrô. Usava como quem usa naturalmente um boné pra ir trabalhar deibaxo do sol forte. Procurei naquele rosto os resquiscios índigenas mas ele era bem diferente do que o folclore nos conta. Não usava tangas, ou talvez, por baixo do casaco de lã com desenhos de lhamas. O índio paulista era na verdade um imigrante latino americano.
Semana passada havia um casal de língua espanhola fotografando os mapas de dentro do metrô. Eu adivinhei que deviam ser de Buenos Aires.
Hoje já havia um fã incondicional do Zé Ramalho. Cantou diversas músicas em alta voz. Abriu o “show” com “Vida de Gado” e em determinado momento gritou: “vamos, agora todos juntos”. Ouvi gargalhadas. Em seguida, avisou que quem quisésse fazer algum pedido musical (apenas do Zé Ramalho), ele atendia. Ninguém pediu. Também compartilhou que estava presente na gravação de um dos dvds, que cantou junto ao ídolo sua música favorita. E em determinado trecho da viagem, quando o trem já estava razoavelmente vazio, o cantor resolveu mostrar seus dotes de dançarino de frevo. Depois pendurou-se no balaustre e foi nessa hora que chegaram os vigias do metrô solicitando que ele se retirasse. O cantor ainda insistiu, que era apenas um trabalhador e ia chegar atrasado ao trabalho, mas foi inútil. Ficou lá, acenando para o trem que seguia seu curso. Esse era imigrante também, das terras áridas do Brasil.
Vou ferir você
- Vou ferir você repetidamente. Não daquele jeito. Você teria de me abandonar se eu o ferisse daquele jeito (…) Vou ferir você de outros modos. Sem querer. E às vezes, por querer.
- Está me fazendo uma oferta e tanto.
- Você também vai me ferir, sabe? Vai me ferir e me trocar. Talvez até me deixe depois de prometer o contrário.Quando me Apaixono (filme)
São falsos
- Todos aqueles poemas de amor são falsos.
- Quando os escrevi, não.Charles Bukowski in “Mulheres”



