“Conhecia os Arthens? Disseram-me que era uma família extraordinária”, diz.
“Não”, respondo, de pé atrás, “não os conhecia particularmente, era uma família como as outras daqui.”
“É, uma família feliz”, diz a Sra. Rosen, que visivelmente se impacienta.
“Sabe, todas as famílias felizes se parecem”, resmungo para me ver livre da conversa, “não há o que dizer a respeito delas.”
“Mas as famílias infelizes o são cada uma a seu jeito”, ele diz me olhando de um modo estranho, e, de repente, embora pela segunda vez, eu estremeço.
(…)
Todas as famílias felizes se parecem, mas as famílias infelizes o são cada uma a seu jeito é a primeira frase de Ana Karenina, que, como toda boa concierge, eu não deveria ter lido, assim como não me é conferido o direito de ter estremecido por acaso ao ouvir a segunda parte dessa frase, num momento de graça, sem saber que era de Tolstoi.- Muriel Barbery in “A elegância do ouriço”
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