Poetriz

Sou um pouco de poeta e de atriz na frente do meu compoetador

Ler não é fundamental Novembro 9, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 7:06 am

Para os franceses Pierre Bayard e Daniel Pennac, ler um livro da primeira à última página não é necessariamente uma virtude. É melhor passar os olhos pelo título e a orelha, pular as páginas ou deixá-lo pela metade, dizer que leu tudo e ainda ter discussões filosóficas sobre seu conteúdo. “Ser culto é ser capaz de se orientar rapidamente em uma obra, e essa orientação não implica sua leitura integral”, afirma Bayard em seu livro Como Falar dos Livros que não Lemos?.

Bayard é psicanalista e professor de literatura da Universidade Paris 8, na França. Sua bandeira é dizer que a leitura passa por meios-termos como deixar o livro fechado, ouvir falar sobre ele, percorrer suas páginas… O escritor francês Daniel Pennac também luta pelo direito à não-leitura. Seu ensaio Como um Romance explica que é o “ter que ler” que afasta os leitores. “Temos o direito de não ler, de pular as páginas, ler qualquer coisa ou não terminar um livro”, diz Pennac. Faça um teste: experimente discutir com seus amigos Ulisses, de James Joyce. Provavelmente todos terão uma opinião formada, ainda que nenhum deles tenha lido de cabo a rabo o romance.

“Entre um bom livro e um mau filme, o segundo geralmente ganha, por mais que não queiramos confessar”

- Daniel Pennac, escritor francês

Fonte: Revista Galileu online

 

Meu testamento Outubro 11, 2009

Arquivado em: Blogosfera, Testes/Memes/Selos — poetriz @ 8:18 pm

Meme recebido do Dz sobre a doação de órgãos. Eu sou a favor, minha família sabe e acho que não vale a pena se apegar ao corpo depois de morto. Tudo vai virar pó mesmo!

Esse video é lindo também, de uma campanha de doação de órgãos:

Esse texto abaixo é de um livro antigo que tenho, acho lindo. E resolvi compartilhá-lo:

Meu Testamento (Doação de Órgãos)

Certo dia um médico determinará que o meu cérebro parou de funcionar e que, de um modo essencial a minha vida parou.
Quando isso acontecer, não tente introduzir vida artificial no meu corpo.
Em vez disso, dê minha visão para um homem que nunca viu o nascer do sol, o rosto sorridente de uma criança ou o amor nos olhos de uma mulher.
Dê meu coração para a pessoa que do seu, já vem sofrendo há tempo.
Dê meus rins aquele que, de semana a semana, depende de uma máquina para existir.
Tome meu sangue, meus ossos, cada músculo e nervo do meu corpo e encontre uma maneira de fazer uma criança paralítica andar.
Explore cada canto do meu cérebro.
Tome minhas células, se necessário, e deixe-as crescer de modo que, algum dia, um menino mudo seja capaz de soltar um grito de gol e uma menina surda possa ouvir o som da chuva contra o vidro da janela.
Queime o que restar de mim e espalhe as cinzas no vento, para que ajudem no desabrochar das flores.
Se você quiser enterrar algo, que sejam minhas faltas, minhas fraquezas e preconceitos contra o próximo, os meus pecados, enfim.
Ao lembrar-se de mim, faça-o com uma ação gentil ou uma palavra a alguém que dela precise.
Faça tudo isso, e eu viverei para sempre.

- Robert N. Test in “Coletanea de Mensagens – Ir.Germano Rebellatto”

 

Adeus Setembro 28, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 7:41 am

“Acendeu mais um Marlboro com o isqueiro dela. Ele só sabia que era dela porque era o único que tinha na casa. Ela não fumava, havia ganhado do pai, de uma viagem que fez a Cuba. Devolveu o isqueiro pra escrivaninha e passou o indicador na tampa do perfume. Sentiu uma ponta de saudade. Algo como se lembrasse de uma série de TV que não via há muito tempo. Bewitched, talvez. Mais um trago no cigarro e a saliva seca cola sua boca no filtro vermelho. Percebeu então que ela não era Elizabeth Montgomery.
Abriu a gaveta pela quarta vez. Como pôde nunca ter visto aquilo? Claro! Foi fácil de esconder. Era só mostrar, publicar num jornal, fazer outdoors. Ele nunca notaria. Ele a ignorava enquanto ela chorava e gritava de sofrer e paixão no banheiro. Em dois anos, oito ou nove cartas escritas à mão, marcadas de lágrimas e exalando dor. Ela tinha ido embora e isso se converteu em certeza quando ele abriu aquela gaveta. Ele não se importava. Aquele quarto não era dele, ele não entrava ali, nem no tempo dos sorrisos, muito menos no pouco tempo que passava em casa.
Bateu a cinza do cigarro em cima das cartas. Seu jeito de desprezar as coisas que deseja ficou bem mais intenso depois dos dois dias de casa vazia. Mais um trago e lembrou como a sua arrogância e a aspereza das suas palavras vociferaram contra ele hoje de manhã, falando com o policial. Se ela estivesse lá…
Pegou a carta que esta no topo da pilha. Leu, com um nariz de quem não precisava ler, mas leu. Depois leu a outra e a outra. Em poucos minutos as cartas e envelopes estavam todos espalhados pelo tapete entre copos vazios, cinzas e filtros de cigarros. Não se fumava naquele ambiente. Mas ela não morava mais lá.
O que ele sentiu dessa vez não era saudade da TV de madeira em preto-e-branco dos seus pais. O que ele sentiu foi a falta do único vazio que o poderia abarcar. Foi o frio da fenda abissal onde mora, no fundo de si, sua solidão. Sempre cingido de amigos e de pessoas que sorriem calor pra ele, dessa vez gemeu de frio. Deixou-se cair na cadeira de balanço e abraçou os joelhos como se fossem fugir. Deu o ultimo trago do tubo de câncer e o apagou no copo de vodka. Pensou em quantas vezes tinha – desnecessariamente – dito a ela que balançar naquela cadeira com as agulhas de tricô na mão deixava a cara dela cheia de rugas. Piedade?
Um samba lhe veio à cabeça. Cartola dizia no fundo do seu consciente que se ainda pudesse fingir que te ama – “ah, se eu pudesse – mas não quero, não devo fazê-lo. Isso não acontece”. Não ficou convencido, porém tocado e, talvez por isso, sentiu-se inspirado – há muito não escrevia. Pelas palavras dela, rasgou o ar mórbido que quase se condensava no quarto empoeirado e sentou à escrivaninha. A caneta tinteiro o esperava ansiosa e suspirou quando ele a tocou. Pensou que ela morava nas coisas dela também. Nas costas do envelope escreveu a letra A.
Acendeu o último cigarro da carteira e pensou no que estava fazendo. Não havia sentido em escrever nada pra ela. Ela se tinha ido e nada ia trazê-la de volta. Nem ele queria assim, era melhor partir. Encostou a caneta no papel manchado e desceu a tinta numa linha reta. vertical Antes de iniciar o semicírculo que descreveria a letra D, freou. “Precisava de freios.” Tinha mencionado algo parecido com isso há pouco tempo. Uma desculpa esfarrapada pra ela calar a boca, não perguntar mais. Sentiu uma pontada no peito. Remorso? De que freio precisava agora? Já estava parado, inerte. Precisava mesmo era de uma ladeira, um abismo. A ponta de ferro da tinteiro estática pressionando o papel não sentia nada assim como os dedos que a seguravam, a mão que a empurrava contra as folhas e o maestro desse ato. Tamanha era a força do “freio” que a caneta atravessou a frente e as costas do envelope além da carta dobrada em quatro partes. Coçou a cabeça, arrastou as mãos pelo rosto, impaciente. Tinha rasgado a maldita carta. Quando ela voltasse ia ficar puta de ódio. Voltar… de onde? Já estava devaneando. Precisava se livrar disso, dela. Desenhou curva da letra D ainda rasgando mais um pedacinho de papel.
Procurou mais um cigarro e só achou a garrafa de vodka com o último gole. Fez uma careta básica enquanto o líquido descia cravando as unhas garganta abaixo. Abriu os olhos e viu as arestas do quarto se formarem a partir de um grande borrão verde escuro. Aquelas cortinas. Ele havia dito pra ela que não caía bem, cortinas escuras é coisa de velório. E está na hora de matar pra morrer e vice-versa. Desenhou um E minúsculo, cursivo, lento e tremido. Achou que parecia letra de segunda série e, por isso, refez duas vezes, por cima mesmo e em caixa-alta.
Molhou a caneta no nanquim e voltou ao papel sem raspar o excesso. Uma gota saliente caiu na carta fazendo uma pinta como a que ela tinha no queixo. Não é mais saudade. Nem sanidade. Precisava terminar com isso rápido. O que fazer? Faltam duas letras e ele buscando sentidos. Desistiu. U de única e última vez. Nunca tinha escrito nada pra ela. Era poeta nos tempos de escola. Dizia que o dom tinha lhe abando nado. A verdade é que ele nunca se apaixonou por ela. Gostava dela, da companhia, do carinho, do sexo. Mas não era tão especial como foi seu primeiro encontro com Florbela Espanca.

QUE IMPORTA?…

Eu era a desdenhosa, a indif’rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilusão
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um só instante…
Que importa?… Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes… quando passa?…

Florbela Espanca – Livro de Sóror Saudade (1923)

E era ele o viandante que bebe em todas as fontes. E era ela, Florbela, a fonte que pedia para que, nela, refrescasse a boca um só instante. Na sua quixotesca asa loira da ilusão, era o cavaleiro de armadura prateada que iria salvar sua amada poeta das garras do suicídio.
S. S de suicídio. S de Selena. “Significa ‘a lua’” disse na primeira vez que se viram. Faz tempo e o tempo cura. Geralmente por que, nessa história, ele só conseguiu destruir. Insinuou as curvas de um S carregado de sentimento. S de Sóror Saudade, em homenagem ao primeiro amor. Como um último beijo desses que se demora pra se desvencilhar.
“Adeus.” Sua resposta às centenas de palavras da tão bem articulada Selena tinha apenas cinco letras. E era mais que o suficiente.
Juntou todas as cartas com um clip e acendeu o isqueiro dela embaixo delas. Sim, ateou fogo. Levou a labareda até a janela e fitou a chama. Tudo o que ela sentia e não conseguiu transfigurar em palavras, apesar de ter tentado em extensas explicações e perguntas estava ali queimando na mão dele. Todas as aflições, declarações de amor e ódio, diários de dias felizes e poemas dos dias tristes estavam ali virando cinza e fumaça. Ventava. A intenção era poder espalhar pela cidade as cinzas e pelo céu a fumaça do adeus que ela não disse. Segurou e namorou o incêndio até não conseguir mais, até quase queimar a mão. Por pouco não beijou o fogo quando este assumiu a forma do rosto dela. Riu da vontade de ter sua boca, de ter sua pele, de tê-la e vê-la dançar no fogo que queimava suas próprias e tão sentidas lágrimas.
Adivinhou que era mesmo isso que ela queria. Se não queria, precisava. Que ele olhasse pro céu e partisse. Que visse a Terra de cima, que deixasse de habitá-la. Que a permitisse, pra que ela pudesse, enfim, conseguir dizer “adeus”.

- Hugo Carvalho (por email, pra mim)
Inspirado nesse texto aqui.

 

Resposta Julho 1, 2009

Arquivado em: Blogosfera, Desabafo — poetriz @ 7:24 am

Rafa,

Tua carta merecia uma resposta, mesmo que tardia.
Como dizias, também ando cansada das mesmas perguntas e das mesmas respostas. Ando cansada de receber enxurradas de desabafos e sempre responder às perguntas dos outros. E as minhas perguntas, quem responde?
No fundo, estou cansada mesmo é de palavras. Há a necessidade de ações. Quero mudança! Mas o tempo passa e nada se altera.
Não tenho mais problemas com o copo meio cheio ou meio vazio. Daqui de onde estou, vejo o copo despedaçado no chão. Meu dedo sangra e não tenho vontade nem de juntar os cacos.
Sinto saudades tuas também. Saudades de uma cadeira colorida na margem de um riacho. Quisera poder sentar nela, refrescar os pés e não ter que me preocupar mais com a densidade de copos.
É impossível não te querer bem! E te quero bem, sempre.

Bjs!

 

Amores Urgentes Junho 29, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 7:44 am

Nos passeios da internet, encontrei o blog Instante Posterior do Bruno Medina, músico do Los Hermanos que escreve pro G1. Vale a pena a leitura. Separei esse texto abaixo que gostei bastante.

(mais…)

 

Que metáfora usamos? Maio 23, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 7:27 am

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By poetriz

Flávia

A internet tem desses encantos de aproximar pessoas, mesmo que elas continuem longe. No mundo off-line, a esquina é metáfora para o acaso dos encontros. E na internet, que metáfora usamos?

Também é fácil se perder das pessoas por aqui (se bem que mais difícil do que nos espaços não virtuais; nesses o isolamento tem a possibilidade de ser total; na internet, sempre tem como nos encontrar).

Parece que coincidio o nosso enjoo pelas ferramentas sociais da internet. Não sei se tens aparecido com frequência, pois eu raramente apareço. Tudo me parece sufocante, como se tivesse uma multidão me esperando na porta de casa. Me apavora pensar nas mesmas perguntas que querem as mesmas respostas, sempre.

Mas há a saudade. E essa pesa bem mais do que alguns desgostos. Pesa porque alivia, e de leveza quero estar cada vez mais pleno.

Escrevo porque tenho saudade de ti.

beijo
rafael

 

O e-mail que me deixou muito feliz! Maio 3, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 11:50 am

 

O blog de Caetano acabou em disco Abril 10, 2009

Arquivado em: Blogosfera, Música — poetriz @ 7:52 am

Fonte: Revista Época

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Caetano Veloso mantém o blog obraemprogresso.com.br há anos. Nele, discute tudo, bate papo e até conta detalhes de sua incontida criatividade. Foi assim que nasceu o CD zii e zie (Universal), que chega às lojas neste fim de semana. O disco é uma espécie de continuação do blog. Ou de um blog em forma de discos. O blog de um farol musical, um “tio” de todos os iniciantes em MPB. (…)
zii e zie não chega a ser um disco ruim. Mas se a gente pudesse tirar todas as distorções roqueiras e ficar com as canções e os achados poéticos, o resultado seria um bom disco de bossa nova. Pena que Caetano anda tão fascinado pelos modismos atuais, como distorção e internet. Seu blog talvez seja a sua obra maior hoje em dia. E vale a pena ser visitado. Nunca um músico expôs tanto as suas ideias. Talvez Caetano exiba, hoje, melhor desempenho como blogueiro do que como músico.

 

Guitar Hero free… Março 27, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 1:25 pm

Jam Legend, Guitar Hero online e de graça.

 

The Newspaper Clipping Generator Março 6, 2009

Arquivado em: Blogosfera — poetriz @ 10:31 pm

O The Newspaper Clipping Generator é um site bacaninha pra você criar sua própria notícia de jornal.