Poetriz

Sou um pouco de poeta e de atriz na frente do meu compoetador

Das inseguranças Setembro 13, 2009

Arquivado em: Desabafo — poetriz @ 9:02 pm

Esses dias eu andei me perguntando “quem tem poder pra decidir quem vive e quem morre?”. A minha resposta foi de fé. E só hoje percebi que a pergunta que eu fazia estava errada, o certo era “quem tem poder pra decidir quem sofre e quem não deve sofrer”. É que talvez a morte seja balsamo que insistimos em não aceitar.
Quando crianças, quem não chorava quando a mãe vinha colocar remédio que ardia o joelho machucado? E o remédio, por sua vez, apesar de doer de início não tinha única e exclusivamente o papel de nos ajudar?
Quando chegar a minha vez, que seja breve e indolor.
Há dias não durmo direito. E numa dessas noite, vi a manhã se aproximando minuto a minuto embalada no tic-tac do relógio.
O joelho seguiu doendo a semana inteira do tombo que levei. Pior é que caí de bunda e não de joelho no chão. Não inchou, não roxeou, mas ainda dói. E como dói a lembrança. Não tinha chorado ainda, até agora.
No emprego a insegurança. Tanta coisa deixei pra depois e o depois passou que nem vi. Não tenho medo do novo. Tenho medo de perder a voz. E já dizia a canção que paz sem voz não é paz, é medo. Insegurança.
E constatei que o tempo passou mesmo hoje, numa conversa, numa tarde das antigas. Comentar o passado também é dolorido por melhor que ele tenha sido. E foi mesmo. O passado é sempre mais bonito com os olhos do hoje. Tem coisas que são boas de lembrar.
E o que mudou daquele tempo, daquelas tardes, daquelas festas? Aquela gente mudou. Casaram-se, divorciaram-se, partiram e alguns ficaram. Mas ficar não implica em continuar o mesmo. Porque o tempo segue adiante independente da nossa vontade de seguir com ele.
Não sei se vivi direito, se vivi bem. Se meu coração pesará ou se será leve o suficiente para que eu me salve. Rogo apenas que quando a hora chegar, que seja bálsamo. E que um leve sopro divino alivie toda a dor.

 

Sequestro Setembro 1, 2009

Arquivado em: Cotidiano, Desabafo — poetriz @ 7:41 am

Passaram um trote pra uma vendedora do meu trabalho. A bina do celular dela mostrou o numero da filha, então ela atendeu. Daí era uma voz feminina chorando, dizendo que tinha sido seqüestrada, chamando ela de mãe, aí uma voz masculina se disse seqüestrador e pedia pra ela não desligar o celular. Eu não tenho detalhes da conversa, só ouvi os gritos de desespero dela. Alguém de bom senso pediu o telefone da filha dela, ela anotou (em meio ao desespero) num papel e alguém ligou de outro telefone pra confirmar que era mentira.

Faz sentido a frase dita esses dias na novela: “o mundo que anda assim, ou é a gente que nunca tinha reparado nessas coisas?”

 

O Templo Agosto 31, 2009

Arquivado em: Desabafo — poetriz @ 7:36 am

Lembro de quando eu trocava emails diários com um amigo. Eu tenho essa mania, de trocar emails como quem conversa no msn – disse um outro amigo. Daí veio a faculdade dele, veio a nova namorada, a antiga namorada, a ex-namorada, o emprego antigo, o emprego novo e milhões de piadas enviadas.
Semana passada chegou um email daqueles, de quando a gente batia papo, contava as coisas ou simplesmente gargalhava enquanto digitava coisas sem sentido. Ele queria saber do templo, pretendia ir lá passear. Dei as informações e por um triz não me ofereci pra ir junto. Só desisti por causa do dente.
Ele aparentemente foi sozinho, como vi nas poucas fotos. Porque claro, não se aparece em muitas fotos quando se está sozinho.
O templo é lindo, já fui uma vez e paguei muitos micos, o que aliás, renderia uma ótimo post.
Isso me fez refletir que há tempos deixei de sair sozinha, coisa que fazia com frequencia. Talvez minha dentista tenha razão: “quando temos trinta, estamos mais perto dos quarenta que dos vinte”.  E eu pergunto, quando foi que eu perdi essa vontade, essa independência, essa alegria? Como? Por que? Nem posso dizer que ando interiorizada, porque nem isso estou. Tenho vivido como quem não sabe viver.
Contruí um templo em volta de mim e esqueci de criar portas. Aqui dentro é silêncio. E o barulho que vem de fora não me assusta, apenas alimenta minha curiosidade. Mas não sei como sair daqui.

 

Ela não vai ceder tão cedo Agosto 8, 2009

Arquivado em: Cotidiano, Desabafo — poetriz @ 8:38 pm

Descobrimos há dois dias que ele está a fim dela. E desde então, os burburinhos não tem fim. Como crianças no pré-escolar todos riem e apontam, criticam e riem do suposto romance que nem começou.
Pra mim, esse é o primeiro empecilho que irá tardar o romance: a opinião dos outros. Não importa o quanto carente ela seja, o quanto sozinha ela se sinta, o quanto ela viva reclamando da solidão. Ela não vai aceitar qualquer um pra manter a pose, apesar de desesperadamente clamar por qualquer um. Qualquer um menos ele, é o que ela repete às amigas.
Mas ele também tem sido falho na “conquista”. Não basta dizer que tem interesse em alguém, é preciso demonstrar. E não basta demonstrações sutis como perder a fome numa churrascaria. É preciso algo direto, algo que faça sentido apenas ao ser amado.
Ela, a gente conhece. É dessas que precisa de carinho e atenção constante, a típica carente. Ele? Mal sabíamos da existência até que ele se tornou a “manchete” das fofoquinhas das meninas. Daí, fica difícil alguém chegar do nada e dar conselhos pra ele, indicar o caminho certo pra se conquistar ela.
E ela não vai ceder tão cedo. Não, até ter certeza que ela é especial pra ele.  Não falo aqui de gente caindo de amores não, falo de alguém que se importe se a gente diz “não”. Alguém que insista porque quer de fato e não porque não aceita perder. Alguém que quer a gente porque viu em nós um diferencial e não porque quer mais um nome no inventário pra contar pros amigos. Alguém que quer um relacionamento porque ama e não porque não consegue ficar sozinho.
Conquistar alguém não é tão difícil. Pode até ser demorado, mas o jogo de sedução é um dos melhores momentos da conquista.
A gente ri, mas no fundo também ficamos nervosas e empolgadas, torcendo pra mais um casal dar certo. É a nossa frustração que se realiza nos amigos. Por isso opinamos tanto.

 

Saudade? Agosto 6, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector, Desabafo — poetriz @ 1:07 am

Saudade do que poderia ter sido e não foi.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

Não foi porque não tinha que ser. Quantas vezes eu já ouvi e repeti isso? Mas será que não era mesmo? Ou eu fiz não ser? Não sei. Só sei que o tempo não volta, e nesse caso específico, um dia tivémos outra oportunidade mas assim como as águas nunca voltam iguais, a oportunidade também não se mostrou a mesma.
Aí lembro de uma citação do filme “2046” onde o amor tem a ver com o tempo: não adianta encontrar a pessoa certa demasiado tarde ou cedo demais. Então concluo que não foi a oportunidade que já não era a mesma, era o tempo que já era outro.
Não estou com saudades não, nem arrependida. E confesso, faz tanto tempo que não sei nem contar os anos desde aquele dia.
É que hoje vim de carona. E ouvimos um único cd o percurso inteiro. O mesmo cd que num fim de semana qualquer do passado tocou sem parar. Músicas que meses depois, num pedido de “perdão”, ganhei num dvd e num cartão que ainda não tive coragem de jogar fora.
Nunca assisti esse DVD. Não queria nada que lembrasse aqueles dias.
Mas a lembrança não obedece a gente. Nem os outros sabem dos segredos que guardamos, ou melhor, enterramos dentro da gente.
Só sei que aquelas músicas tocaram hoje sem parar. Uma seguida da outra. E eu ainda sabia todas as letras.
E como um filme, pela janela eu via uma estrada vazia, chuva no parábrisa, árvores e uma mão na minha coxa.

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Ps: Ontem uma moça no metrô vendo-me ler “Onde estiveres de noite” da Clarice Lispector, me cutucou pra saber se eu já tinha lido “A hora da estrela”. Respondi que sim. E também por isso, escolhi uma citação desse livro. =)

 

Em pé Julho 25, 2009

Arquivado em: Desabafo, Poetriz — poetriz @ 12:16 pm

Faz tempo que não escrevo, não? Ando usando as palavras dos outros pra expressar o que sinto. Minto. Nem isso tenho feito. Tenho usado palavras que recolho no vento e devolvo no mar. E o mar leva as palavras tal qual folha caída de árvore que fica às margens do riacho. Deve ser isso. Devo estar à margem. Não mergulho, não volto, não me atrevo a sair do lugar. Fico ali com os pés encharcados e afundados na lama escura. O sol insiste em perfurar as folhas que permanecem na copa das arvores. Olha pra cima é ver um céu estrelado em pleno dia. O escuro das folhas resistentes, os vãos que libertam raios solares.

Não ando triste, não. Ando ocupada. Ocupada em me manter distante. Mas é inevitável, porque sempre vem, sempre chega, sempre envolve, sempre domina. Solidão. Solidão não é tristeza. Solidão tem mais a ver com pensamento, reflexão. Ou castigo. No fundo, a gente sempre se castiga. Obrigamo-nos a ver filmes chatos, a ler livros chatos até o fim, a ver a novela que não desenrola, a viver essa história que não tem futuro, a criar esperança onde está muito claro que chegou o fim. E dói. E por que não iria doer, se a dor faz parte do castigo?

Eu escrevo pra me livrar da dor, já predisse Rubem Alves in “Ostra feliz não faz pérola”. E parafraseando Martha Medeiros (Divã), eu escrevo não pensando em ser uma celebridade. Eu escrevo pra dar forma ao que em mim fica solto e não se enquadra. Já eu, escrevo porque não agüento calar tudo em mim. O mundo é grande demais pra calar dentro de mim.

Hoje resolvi rascunhar qualquer coisa pra evitar o que eu realmente queria falar. Distraio os dedos, foco o pensamento e fecho os olhos. Finjo mergulhar. Finjo correr desviando das árvores. Abro os braços, e quase posso sentir o vento, o frio da água. Quase. Mas permaneço parada, os pés afundados na lama igual raiz que segura a árvore em pé. Em pé. Em pé…

 

Resposta Julho 1, 2009

Arquivado em: Blogosfera, Desabafo — poetriz @ 7:24 am

Rafa,

Tua carta merecia uma resposta, mesmo que tardia.
Como dizias, também ando cansada das mesmas perguntas e das mesmas respostas. Ando cansada de receber enxurradas de desabafos e sempre responder às perguntas dos outros. E as minhas perguntas, quem responde?
No fundo, estou cansada mesmo é de palavras. Há a necessidade de ações. Quero mudança! Mas o tempo passa e nada se altera.
Não tenho mais problemas com o copo meio cheio ou meio vazio. Daqui de onde estou, vejo o copo despedaçado no chão. Meu dedo sangra e não tenho vontade nem de juntar os cacos.
Sinto saudades tuas também. Saudades de uma cadeira colorida na margem de um riacho. Quisera poder sentar nela, refrescar os pés e não ter que me preocupar mais com a densidade de copos.
É impossível não te querer bem! E te quero bem, sempre.

Bjs!

 

Fazem bem Abril 9, 2009

Arquivado em: Desabafo — poetriz @ 8:39 pm

Não tenho escrito, mas tenho pensado bastante. E refletido frases do dia. Antes, as frases vinham com o biscoito chinês, mas enjoei do doce. E desde sua partida trocamos emails quase que diários com frases de estímulo. Há dias que as frases falam do Seu Madruga (El Chavo) e tem dias que insistimos em Bruce Lee, uma de nossas paixões em comum.
Tem dias de fofocas, e raros de desabafos porque prezamos a confidencialidade de nossas correspondências.
Ando me escondendo, é bem verdade. Sumida. Fechada. Propositalmente inalcançavel.

Mas ele sabe o caminho, os atalhos, as brechas. E todos os dias eu recebo uma cota de sol, de sabedoria, de carinho.
Ele me apóia. E também me cobra.
Antes eu achava que era preciso cercar e foi pelos vãos que perdi tudo.

A esse não quis me apegar, cansada de sofrer.

E a liberdade mudou discretamente o meu dia-a-dia.

Nesse momento de faxina interior, ele é dos que ficam parados na porta reclamando da poeira e botando defeito. Reclamando dos cantos, da sujeira em baixo do tapete, pisa onde acabei de limpar.
Mas não vejo isso de forma ruim, apesar do que possa parecer.

É que ele é entusiasmado e exige que as coisas mínimas beirem a perfeição.

Só assim, conhecendo os cantos da alma, os lugares onde escondemos os segredos, é que podemos limpa-la.

Não basta limpar o aparente, é preciso revirar, remexer e limpar quantas vezes forem necessárias.

Pra tudo isso é preciso um pouco de silêncio. De isolamento.

Abrir a janela algumas horas no dia pra entrar um pouco de luz e ar.

Essas coisas fazem bem.

As frases do dia me fazem bem, são minha cota diária de luz e ar.
Ele é um pouco de sol.

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By poetriz

“Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa “faxina interior”. Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade. Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.”

- Wilson Meiler

 

Corações partidos II Março 19, 2009

Arquivado em: Amor, Desabafo, Poetriz — poetriz @ 6:18 pm

Ainda sobre o post citado no texto anterior…

Uma vez já conversei com um amigo sobre essas situações, de tanto a gente se dar mal acabar uma pessoa fria e sem sentimentos. Mas do tempo daquela conversa, hoje posso dizer que raramente isso acontece. Quando no nosso íntimo somos de uma forma, por mais cicatrizes que carregamos, uma hora ou outra, a gente volta a acreditar nas pessoas, no amor, na vida.

Acho que é maravilhoso ter alguém ao nosso lado. Mas a gente sempre tem que ter um “plano b” pra caso isso não ocorra. Nem todo mundo tem a sorte na vida de encontrar a tal “alma gêmea”.
A gente, num momento de mágoa, acha que as pessoas são más e desprezam nossos sentimentos. Mas em contrapartida, a gente também não estaria desprezando o sentimento do outro que decidiu que não nos ama?

Claro que você vai se envolver novamente com alguém. Essas coisas não dá pra prever. O que pode ser feito, no seu próximo relacionamento, é você não cometer os erros passados. Talvez não ser tão ciumento? Ou ligar de vez em quando pra mostrar que se interessa? Ou dar espaço pra ela ter amigas e sair com as amigas as vezes? Ou chama-la pra sair junto com os seus amigos também?
O importante é usar esse momento de dor pra refletir. Ver o que não deu certo, que justificativas lhe deram, o que você acha que foi magoando as pessoas. E talvez mudar, se você achar necessário, apenas se você achar importante.

Cada decepção que a gente sofre, tende a ficar mais exigente no futuro. E cada pessoa é diferente. Talvez você não tenha dado sorte até agora, mas quem sabe a próxima? Mas também não há de se cair no desespero e achar que deve encontrar a mulher da sua vida amanhã, na primeira pessoa que você simpatizar. O amor é construído aos poucos, no dia a dia, e requer que os dois estejam dispostos a faze-lo crescer.

E pra terminar, uma coisa sempre ouvi: “que quem está no fundo do poço só tem uma saída: por cima.”

 

Corações partidos Março 18, 2009

Arquivado em: Cotidiano, Desabafo — poetriz @ 8:16 pm

“Desculpe se estou mudando de assunto mais estou muito triste e preciso de ajuda. Sou casado há 3 anos,  vivi os melhores momentos de minha vida ao lado dessa pessoa que eu a amo muito. Mas hoje ela diz que nossa relação está muito desgastada e não tem certeza do seu sentimento por mim. E que até ja sentiu vontade de ficar com outras pessoas. Mandem-me emails com conselhos. Eu a amo muito. Não sei o que fazer obrigado pela sua atenção estou com o coração partido…”


- Carlin num comentário do post “Quanto tempo demora pra esquecer alguém”.

Uma coisa que sempre quis fazer era responder perguntas, dar conselhos, iguais a muitos blogs que vejo por aí. Confesso também que achava que seria mais fácil. Talvez, eu pudésse rir e fazer escárnio da situação, como tantos outros. Mas como rir de um coração partido? Já ouvi tanta história, até de gente que esperou 11 anos por uma segunda oportunidade.
Sinceramente não sei o que aconselhar, não tenho experiência no comodismo das relações. Sempre fui instável. Tenho que conquistar ou ser conquistada (mesmo que indiretamente) de tempos em tempos, senão morre o que sinto. Eu me apaixono fácil, é bem verdade, mas também quando decido desapaixonar é rápido também.
Os conselhos que eu daria são mais preventivos. Do carinho constante, da preocupação, da responsabilidade mútua. Um relacionamento só sobrevive se os dois querem. Quando um dos dois não tem os mesmos objetivos, haverá um momento em que tudo parecerá frustrante pra alguém.
As vezes, não tem jeito. Melhor repensar os objetivos, os sentimentos.
E pra sentir vontade de ficar com outra pessoa as vezes nem é porque a outra pessoa é tão interessante assim, as vezes quer se provar que o que escolhemos está certo mesmo, vale a pena mesmo.

Não ando inspirada pra textos, então quem quiser falar diretamente com ele, o email dele é carlossylveira@gmail.com