Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro O Verdadeiro Amor. Cuidado comigo: um dia encontro.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Um dia encontro Junho 12, 2009
Felicidade que não chega Junho 9, 2009
… à espera de uma felicidade que não chega nunca. Eles não compreenderiam, ninguém compreenderia. Eu não compreendia, naqueles dias – você compreende?
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Ando muito infeliz Maio 31, 2009
Eu ando muito infeliz, Dudu, este é um segredo que conto só para você: eu tenho achado, devagarinho, cá dentro de mim, em silêncio, escondido, que nem gosto mais muito de viver, sabia?
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Nos filmes Maio 26, 2009
Fechei a porta, encostei a parte de cima da cabeça contra ela. Só nos filmes as pessoas fazem isso, nunca vi ninguém fazer de verdade. Comecei a fazer para ver se sentia o que as pessoas sentem nos filmes – pessoas sempre sentem coisas nos filmes, nos bares, nas esquinas, nas músicas, nas histórias. Nas vidas acho que também, só que não se dão conta. Depois percebi que aquela dor que sobe ali do olho esquerdo pela testa diminuía um pouco assim, então fui me virando até apertar o lado esquerdo da cabeça, justamente onde doía, contra a porta fechada. A dor doía menos assim, embora não fosse exatamente uma dor. Mais um peso, um calafrio. Uma memória, uma vergonha, uma culpa, um arrependimento em que não se pode dar jeito.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Essa sede Maio 14, 2009
Mas essa sede de outro corpo é que nos deixa loucos e vai matando a gente aos pouquinhos.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Palavras começadas por in Maio 12, 2009
Ele gostava tanto dessas palavras começadas por in – invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Dói um pouco Abril 14, 2009
Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para transformar-se numa grande chaga.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Bem na curva do pescoço Abril 5, 2009
E seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Urgência em ser feliz Março 21, 2009
Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
Aquele momento Março 13, 2009
Sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento – aquele.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.









