Poetriz

Sou um pouco de poeta e de atriz na frente do meu compoetador

Acaso Outubro 27, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 8:01 am

Pensando bem: quem não é um acaso na vida? Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. É quando entro em contato com forças interiores minhas, encontro através de mim o vosso Deus. Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 

Momentos Outubro 14, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 9:05 pm

Parece com momentos que tive contigo, quando te amava, além dos quais não pude ir pois fui ao fundo dos momentos.

Clarice Lispector in “Agua Viva”

 

Luxo do silêncio Outubro 5, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 7:38 am

Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas – escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.

Clarice Lispector in “Agua Viva”

 

Nunca estive tão bem Outubro 3, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 7:25 am

Para falar a verdade, nunca estive tão bem. Por quê? Não quero saber por quê.

- Clarice Lispector

 

Vivo a beira Setembro 21, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 7:03 am

Sei que são primárias as minhas frases, escrevo com amor demais por elas e esse amor supre as faltas, mas amor demais prejudica os trabalhos. Este não é um livro porque não é assim que se escreve. O que escrevo é um só clímax? Meus dias são um só clímax: vivo à beira.

Clarice Lispector in “Agua Viva”

 

Ruptura Setembro 17, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 8:44 pm

Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva
grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 

Palavra no escuro Agosto 20, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 11:34 am

Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. A procura da palavra no escuro.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 

Estava contente Agosto 16, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 11:33 am

Estava contente. Mas como doía.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

 

Saudade? Agosto 6, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector, Desabafo — poetriz @ 1:07 am

Saudade do que poderia ter sido e não foi.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”

Não foi porque não tinha que ser. Quantas vezes eu já ouvi e repeti isso? Mas será que não era mesmo? Ou eu fiz não ser? Não sei. Só sei que o tempo não volta, e nesse caso específico, um dia tivémos outra oportunidade mas assim como as águas nunca voltam iguais, a oportunidade também não se mostrou a mesma.
Aí lembro de uma citação do filme “2046” onde o amor tem a ver com o tempo: não adianta encontrar a pessoa certa demasiado tarde ou cedo demais. Então concluo que não foi a oportunidade que já não era a mesma, era o tempo que já era outro.
Não estou com saudades não, nem arrependida. E confesso, faz tanto tempo que não sei nem contar os anos desde aquele dia.
É que hoje vim de carona. E ouvimos um único cd o percurso inteiro. O mesmo cd que num fim de semana qualquer do passado tocou sem parar. Músicas que meses depois, num pedido de “perdão”, ganhei num dvd e num cartão que ainda não tive coragem de jogar fora.
Nunca assisti esse DVD. Não queria nada que lembrasse aqueles dias.
Mas a lembrança não obedece a gente. Nem os outros sabem dos segredos que guardamos, ou melhor, enterramos dentro da gente.
Só sei que aquelas músicas tocaram hoje sem parar. Uma seguida da outra. E eu ainda sabia todas as letras.
E como um filme, pela janela eu via uma estrada vazia, chuva no parábrisa, árvores e uma mão na minha coxa.

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Ps: Ontem uma moça no metrô vendo-me ler “Onde estiveres de noite” da Clarice Lispector, me cutucou pra saber se eu já tinha lido “A hora da estrela”. Respondi que sim. E também por isso, escolhi uma citação desse livro. =)

 

Conheceria algum dia? Agosto 2, 2009

Arquivado em: Clarice Lispector — poetriz @ 7:32 am

Pergunto eu: conheceria ela algum dia do amor o seu adeus? Conheceria algum dia do amor os seus desmaios? Teria a seu modo o doce vôo? De nada sei. Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só.

Clarice Lispector in “A hora da estrela”