Tive vontade de dizer muitas coisas à roubadora de livros, sobre a beleza e a brutalidade. Mas que poderia dizer-lhe sobre essas coisas que ela já não soubesse? Tive vontade de lhe explicar que constantemente superestimo e subestimo a raça humana — que raras vezes simplesmente a estimo. Tive vontade de lhe perguntar como uma mesma coisa podia ser tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes.
Nenhuma dessas coisas, porém, saiu de minha boca.
Tudo que pude fazer foi virar-me para Liesel Meminger e lhe dizer a única verdade que realmente sei. Eu a disse à menina que roubava livros e a digo a você agora.• UMA ÚLTIMA NOTA DE SUA NARRADORA •
Os seres humanos me assombram.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Os seres humanos me assombram Abril 6, 2009
Os dedos da alma Março 26, 2009
Muito embora o texto estivesse desbotado, ela conseguiu ler as palavras. Os dedos de sua alma tocaram na história escrita tanto tempo antes, em seu porão da Rua Himmel.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Lembrava de seus livros Março 10, 2009
Depois disso, vieram semanas e meses, e muita guerra. Liesel se lembrava de seus livros nos momentos de maior tristeza, especialmente dos que tinham sido feitos para ela e do que lhe salvara a vida.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Mesmo quando há torrentes Fevereiro 20, 2009
Liesel não disse adeus. Foi incapaz de fazê-lo e, após mais alguns minutos ao lado do amigo, conseguiu levantar-se do chão. Fico impressionada com o que os seres humanos são capazes de fazer, mesmo quando há torrentes a lhes descer pelos rostos e eles avançam cambaleando, tossindo e procurando, e encontrando.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Sua unica desvantagem Fevereiro 15, 2009
E não sou muito boa nessa história de consolar, especialmente quando tenho as mãos frias e a cama é quente. Carreguei-o com delicadeza pela rua destroçada, com sal nos olhos e o coração mortalmente pesado. Observei por um instante o conteúdo de sua alma, e vi um menino pintado de preto, gritando o nome de Jesse Owens ao cruzar uma fita de chegada imaginária. Vi-o afundado até os quadris em água gelada, perseguindo um livro, e vi um garoto deitado na cama, imaginando que gosto teria um beijo de sua gloriosa vizinha do lado. Ele mexe comigo, esse garoto. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Ninguém planeja Fevereiro 2, 2009
Deu-lhe uma razão para ela escrever suas próprias palavras, para ver que as palavras também lhe tinham dado vida.
— Não se castigue — a menina a ouviu dizer outra vez. Mas haveria castigo e sofrimento, e haveria também felicidade. Em escrever.
Passadas mais de duas horas, Liesel Meminger começou a escrever, sem saber como conseguiria fazer isso direito. Como poderia saber que alguém apanharia sua história e a carregaria consigo por toda parte?
Ninguém espera essas coisas.
Ninguém as planeja.Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Momentos definidores Janeiro 16, 2009
As pessoas têm momentos definidores, suponho, especialmente quando são crianças.
- Markus Zusak in “A Menina que Roubava Livros”
Agarrada às palavras Janeiro 7, 2009
Continuava apertando o livro.
Continuava desesperadamente agarrada às palavras que lhe tinham salvado a vida.- Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Desejou que ele a beijasse Dezembro 21, 2008
No começo, Liesel não conseguiu dizer nada. Talvez fosse a súbita turbulência do amor que sentiu por ele. Ou será que sempre o tinha amado? Era provável. Impedida como estava de falar, desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si. Não importava onde a beijasse. Na boca, no pescoço, na face. Sua pele estava vazia para o beijo, esperando.
Markus Zusak In “A menina que roubava livros”
Deixam as palavras importantes pra depois Dezembro 13, 2008
Liesel escreveu que, em alguns momentos, ela quase lhe falou de seu irmão, como fizera com Max, mas parecia haver uma grande diferença entre uma tosse interurbana e duas pernas obliteradas. Como consolar um homem que viu essas coisas? Seria possível dizer-lhe que o Führer se orgulhava dele, que o Führer o amava pelo que ele tinha feito em Stalingrado? Como é que alguém se atreveria? Só se podia deixar que ele falasse. O dilema, é claro, é que as pessoas como essas guardam suas palavras mais importantes para depois, para quando os humanos em volta têm a infelicidade de encontrá-las. Um bilhete, uma frase, até uma pergunta ou uma carta
- Markus Zusak In “A menina que roubava livros”









