Arquivo da categoria: Orhan Pamuk

Fechar a mente

Fechar a mente

Uma das idéias mais importantes do poema era a capacidade do poeta de fechar uma parte de sua mente, ainda que o mundo estivesse em completo alvoroço. Se isso significava que um poeta não estava mais ligado ao presente que um fantas­ma, esse era o preço que ele tinha de pagar por sua arte!

- Orhan Pamuk in “Neve”

Distração

Distração

“Seus pensamentos agora estavam longe, bem longe. Ele sentiu um desejo nascendo dentro de si, e um sonho ligado a esse desejo, mas ao mesmo tempo não conseguia entregar-se ao sonho por causa das coi­sas que aconteciam à sua volta.”

- Orhan Pamuk in “Neve”

Palavra por palavra

Palavra por palavra

“…e escreveu o poema como lhe veio, palavra por palavra. Era como copiar um poema que outra pessoa lhe sussurrasse ao ouvido, mas ainda assim dava toda a atenção às palavras da página. Como nunca tinha escrito um poema daquela forma, num ímpeto de inspiração, de uma só vez, um canto de sua cabeça duvidava da sua qualidade. Mas à medida que os versos se seguiam, um após outro, parecia-lhe que era perfei­to em todos os aspectos, o que fez seu coração feliz bater mais rápido. E as­sim continuou escrevendo quase sem interrupção, deixando espaços apenas aqui e ali para as palavras que não tinha ouvido direito, até ter escrito trinta e quatro versos.”

– Orhan Pamuk in “Neve”

Já estava escrito

Já estava escrito

“e enquanto se entregava a todas as outras pequenas coisas que fazem uma vida e percebia como se uniam em um todo, ele viu um floco de neve… Foi assim que Ka ouviu o chamado do fundo de si: o chamado que ele ouvia nos momentos de inspiração, o único som que podia fazê-lo feliz, o som de sua musa. Pela primeira vez em quatro anos, um poema vinha até ele. Embora ainda precisasse ouvir as palavras, ele sabia que já estava escri­to; mesmo aguardando em seu lugar escondido, o poema irradiava a força e a beleza do destino. “

- Orhan Pamuk in “Neve”

Não sei viver sem estar apaixonado

Não sei viver sem estar apaixonado

“Se ela deve saber que você a ama no mesmo instante em que descobre que não há nenhuma esperança nesse amor, por que lhe contar, afinal de contas?”
“Ao contrário de você, não tenho medo da vida nem de minhas pai­xões”, disse Necip. Temendo ter perturbado Ka, ele acrescentou: “A única coisa que me interessa são estas cartas: não consigo viver sem estar apaixona­do por alguém ou por alguma coisa bela. Agora eu tenho de buscar o amor e a felicidade em outro lugar.”

- Orhan Pamuk in “Neve”