Poema Feminino

Poema Feminino

Que mulher nunca teve…
Um sutiã meio furado,
Um primo meio tarado,
Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir,
Um porre de cair
Ou um lexotan para dormir?

Que mulher nunca sonhou
Com a sogra morta, estendida,
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou
Em dar fim numa panela,
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou
Para ter a perna depilada,
Para aturar uma empregada
Ou para trabalhar mestruada?

Que mulher nunca comeu
Uma caixa de Bis, por ansiedade,
Uma alface, no almoço, por vaidade
Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou
O pé no sapato para caber,
A barriga para emagrecer
Ou um ursinho para não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone,
Que não pensa em silicone
Que ‘dele’ não lembra nem o nome?

Só as mulheres para entenderem o significado deste poema!
Estamos em uma época em que:
‘Homem dando sopa, é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres.’
‘Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando.’
‘Príncipe encantado que nada… Bom mesmo é o lobo-mau!!
Que te ouve melhor…
Que te vê melhor…
E ainda te come!!!’

- Recebi por email.
Desconheço o autor

Preciosidades

Preciosidades

Desde que se entendia por gente, ela se lembrava deste movimento: como ele pegava um livro, passava a mão pela capa quase carinhosamente e então o abria, como se fosse uma caixa repleta de preciosidades nunca antes vistas.

Cornelia Funke in “Coração de Tinta”

Oração ao Tempo

Oração ao Tempo

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo…

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo…

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo…

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo…

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo…

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo…

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo…

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo…

- Caetano Veloso

O que os outros tinha a ver?

O que os outros tinha a ver?

Ela olhou para ele pensativa, como se quisesse ler seus pensamentos, encontrar as palavras que ele não dissera. Mas Dedo Empoeirado sabia fechar o rosto melhor do que Língua Encantada, muito melhor. Sabia torná-lo impenetrável, um escudo contra olhares curiosos para seu coração. O que os outros tinham a ver com o coração dele?

Cornelia Funke in “Coração de Tinta”