Já se apaixonou?

‘Quer dizer que já se apaixonou?’
E depois como ele a fitava em silêncio:
‘Apaixonou-se e afinal não foi o cataclismo que esperava, não foi o grande amor?’
‘Pois é, sabe. Não foi uma coisa avassaladora’
‘Então não foi amor,’ replicou May Bartram.
‘Bom, pelo menos julguei que era. Pensei que fosse – até agora pensava que era. Foi agradável, delicioso, doloroso,’ explicou. ‘Mas não foi estranho. Não correspondeu a essa convicção de que lhe falei.’
‘Você quer uma coisa exclusivamente sua – uma coisa que ninguém mais possua nem nunca tenha possuidor?’
‘Não é uma questão de eu ‘querer’ – sabe Deus que eu não quero nada. A questão é a certeza absoluta que me persegue – com que vivo após dia.’
Disse isto com tanta lucidez e coerência que a convicção se aprofundou nitidamente. Se ela não tivesse sentido interesse até então, agora concerteza senti-lo-ia.
‘É uma sensação de violência iminente?’
O gosto dele em falar na questão era agora evidente.
‘Não penso em termos de vir a ser – quando finalmente acontecer – uma coisa natural e – claro – acima de tudo, inconfundível. Penso em termos simples de o acontecimento. O acontecimento surgirá necessariamente como uma coisa natural’.

– Henry James
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3 comentários sobre “Já se apaixonou?

  1. Estou lendo essa obra do James, chama-se “A fera na selva”.
    É extremamente densa, assim como o é a paixão.
    Ora! A paixão é o grande tema da obra, e talvez aí esteja o motivo da densidade.

    Espero que esse trecho motive a ler Henry James, pois é leitura indispensável.

    bjus

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