Cartas extraviadas

Querido G.,

Há tempos venho pensando em escrever-te mas vou deixando pra lá mas dessa vez resolvi colocar no papel. Muito deve-se a nossa conversa de ontem. Há tempos não conversávamos, não? Mas também já reparou que só conversamos quando estamos com problemas do coração?
É essa tua mania de se apaixonar por gente complicada. Poxa, a “sortuda” da vez tinha que ser casada? Já te preveni que essa história não será longa e corre o sério risco de sair muito machucado no final. Mas se crê que dá pra se curtir sem se envolver, se crê que isso é solução para a solidão, então prepara-se pras consequências que hão de vir.
As vezes me pergunto por que nunca nos apaixonamos. Mas a resposta é tão óbvia! É porque somos solteiros, sem filhos, sem vícios (dos sérios), com idade aproximada, moramos na mesma cidade, gostamos de Carpinejar, com emprego e um grau de instrução elevado. Simples, né? Se houvesse complicações e muitos impecilhos aí sim, iríamos nos querer mais do que bem, iríamos nos apaixonar. Porque o ser humano tende a preferir o difícil, a querer o improvável.
Desejo-te boa sorte e que o prazer que tua nova paixão te traz seja maior que o sofrimento que um dia virá. Não sou pessimista, não te desejo o pior, não me entenda mal! Mas há de convir que uma mulher casada tem antes de tudo responsabilidades com a família dela.


Te desejo bem.
Só bem.


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Um comentário sobre “Cartas extraviadas

  1. Querida Poetriz,

    Acho que mais do que uma resposta, você aguardava uma atitude minha. Mas como não estou preparado para isso, resolvi responder em respeito a todo carinho que sinto por você e que se mostra tão recíproco nesta carta.

    Sei que posso parecer egoísta (e extremamente insensível) ao te procurar apenas quando estou com “problemas do coração”, mas o que eu posso fazer se confio apenas em ti? Ou devo confiar todas as minhas preocupações com qualquer pessoa? Seus conselhos e broncas; deboches e preocupações; tudo o que fala quando coloco minhas fichas na mesa são as coisas que me confortam quando erro – sempre – pra nunca mais.

    Nunca havia pensado nas coisas que me escreveu, mas me ocorreu – e ai posso estar sendo o cara mais idiota do mundo – que talvez nunca tenhamos sido um do outro justamente por medo. Que vínculo verdadeiro eu terei com uma mulher casada? Ou com qualquer uma das outras que já fui chorar no seu ombro? Nenhum! Mas com você eu quero que seja eterno.

    Vai ver que a culpa nem é delas. Pode ser eu que não saiba me relacionar…

    E se essa opção for verdadeira? Não sei, mas prefiro arriscar no que chama de difícil do que a mínima possibilidade de que um dia estrague tudo e não tenha nem mais você para poder falar.

    E se todos estes meus “problemas” não forem apenas um motivo para que eu volte a ficar ao seu lado de novo e de novo e de novo?

    Ou vai ver que é porque não gostamos de obviedades.

    Obrigado não só pela carta,

    ————–
    Desculpe, mas fiquei com medo de que o G. não lesse esta carta. E sei que ela merece resposta! rssss

    Bjos!

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