Cartas para Ninguém – VII

M.

Custo a entender seus longos períodos de ausência. Creio que querem demonstrar seu desinteresse, sua independência, sua masculinidade que o faz estar acima nessa situação.
Os vazios e silêncios que você planta entre nós afirmam nosso descompromisso.
Eu sou bem direta, você sabe. Então preciso deixar claro que eu não estou atrás de compromisso sério, do tipo… casamento, levar você pra passar uma noite em casa assistindo tv no sofá.
Gostava de estar com você, gostava bem no começo quando me inundava de atenção e me deixava confusa. Naquele tempo eu cheguei a pensar que de repente essa vez podia ser diferente, que talvez você fosse aquele pessoa que viria mudar minhas resoluções.
Mas aquela situação totalmente inusitada pra mim, de você ter um discurso defendendo a independência e agir de forma totalmente diferente, finalmente passou.
Agora estou no terreno seguro e que conheço bem: a certeza do fim.
Sigo vivendo sem esperar seu telefonema, seu contato. Chego a pensar que devia ter desfrutado mais a última vez, se eu soubesse que era a última. Ou aproveitar melhor a próxima, que poderá ser a derradeira.
Eu sei que é inevitável que nos encontremos uma última vez. Seus esparsos telefonemas predizem isso.
Só me resta a dúvida se seus períodos de ausência são para que você se encontre ou para que você encontre outro alguém. Torço pelas duas opções pois preciso da certeza absoluta do fim.
A gente, nem chegou a doer. Pena, porque amor que dói muda algo dentro da gente pra sempre.

Saudades,
Ou não.

F.

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