Cartas para Ninguém – XI

M.

Quando o telefone tocou levei um susto. E depois ficou aquela sensação estranha, um incômodo, um medo. Tentei retornar mesmo assim, mas pra meu alívio o seu telefone estava fora. Então me perguntei como várias outras vezes antes quando também foi assim: se me liga, por que não está preparado para o retorno da minha ligação? E mais, por que sou sempre eu a retornar?
É meu castigo por não te procurar nunca? É teu castigo, quando engana a si mesmo achando que o meu retorno na verdade era uma busca?
Não te busco, você pediu, não lembra? Estava no seu olhar quando seu discurso desdenhava dos descompromissados.
Criticou minha sinceridade, pior, ofendeu-se. Agora ajo como criança e desligo o celular. Não quero lhe ver hoje e não tenho mais coragem de dizer isso.
Minha cabeça dói, meus sentimentos doem. É enxaqueca de novo. Arrependimento, dúvida, sei lá.
Conversava com uma amiga e fiquei com inveja da paixão do namoro dela. Um namoro ainda recente e já tão florido.
Eu não estou sabendo cuidar disso aqui. Sinto que fui podada, plantada numa vaso menor do que preciso pra crescer.
Não é que eu quisésse mais, talvez eu só que fosse diferente.
Tenho saudades de sonhar. Depois de você, nem isso tenho feito.

F.

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3 comentários sobre “Cartas para Ninguém – XI

  1. Tem gente que faz isso mesmo com a gente. Mas acho que é porque a gente deixa. Nossos sonhos são nossos. Ninguém poderia tirá-los de nós…

    Essa enxaqueca eu bem conheço também.

    No meu vaso, ainda pequeno, eu voltei a plantar flores. Outras. aquelas foram arrancadas, mas com o mesmo adubo e outras disposições, eu e ele estamos reconstruindo algo que um dia poderemos chamar – quem saberá? – de eterno.

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  2. Ah! Eu sou a companhia não ocasional que atravessava a rua há quase um ano! A companheira de mais de 4 anos!
    A mesma cama… Os mesmos restaurantes, os mesmos amigos, e os mesmos vícios!
    Quantas vezes escrevendo para você ao meu lado, enquanto nossas pernas tremelicavam umas nas outras.
    Você mais uma iludida que caiu na conversa das namoradas lindas, santas e megeras… Da solidão, do querer novo, do não repetir! Dos traumas infantis…
    Como podem as pessoas serem tão ignóbias sobre as outras?
    E se pergunta porque eu fico?
    Porque eu reino sobre ele!
    Enquanto ele tem o prazer de reinar sobre os mais fracos.

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