Cartas para Outros Ninguém – I

N.

Ainda me pergunto se você pensa em mim tanto quanto eu em você.
Nossa história ficou mal resolvida, mal amada, mal começada, mal terminada. Terminou mesmo?
Penso que numa hora dessas vou receber uma chamada telefônica sua. A príncipio seria acaso, você diria que nem era comigo que queria falar. Mas incapaz de solicitar o verdadeiro destinatário, arranjaria desculpas pra continuar ouvindo minha voz.
Depois daqueles instantes iniciais de silêncio incômodo, você faria perguntas comuns escondendo a verdadeira pergunta.
Eu diria que estou bem, numa grande mentira, porque a verdade é que não estou nada bem. Ando com muitas saudades de você, esperando por essa iniciativa sua que iria comprovar que você ainda me ama, que sempre me amou. Amou, né?
Então eu também faria perguntas tolas, querendo saber do seu trabalho, do seu curso, de qualquer coisa que pudesse disfarçar a verdadeira informação que eu desejo de você.
Ao fim, falaríamos coisas sem importância, esconderíamos nosso verdadeiro sentimento, fingiríamos educadamente que não nos importamos, que não nos arrependemos, que não queremos uma segunda, terceira, infinitas chances.
E quando desligássemos o telefone, eu iria fechar os olhos arrependida de não ter dito tudo o que queria dizer. E chorar de raiva de não ter ouvido tudo o que eu queria ouvir de você.
Ah, se esse telefone tocasse e fosse você…

F

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4 comentários sobre “Cartas para Outros Ninguém – I

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