Amizade


… como se o Amor não nascesse e morresse sempre em razão do tom de uns olhos, da curva de uma cintura, da química específica do sexo. Os erros que sobram do Amor atribuem-se à Amizade. Esses, estendem-se pelo mundo em geografias de partilha ou antagonismo. E justificam-se pela incapacidade humana de discernimento num universo desertado pelos deuses e demasiado confuso. Acabamos por considerar o erro como um destino. Atingimos assim os cumes em que boa consciência e má vontade se unem para nos manter imóveis perante todas as atrocidades. Mas quem quer cansar-se a ouvir falar do mal e do bem, quem quer comprometer-se até à morte com os defeitos e qualidades de um outro, apenas em troca desse nada imenso que é a Amizade?

Inês Pedrosa in “Fazes-me Falta”

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