Lei pessoal

Reconhecemos uma promessa como se fosse uma lei pessoal e consideramos as pessoas que não as cumprem criminosos da vida íntima. Pensamos nisso automaticamente. É uma daquelas verdades que existem pura e simplesmente: quebrar uma promessa é uma coisa ruim, muito ruim. Uma promessa pode ser leve como palavras sussurradas ou solenes como um voto de casamento, mas nós a enxergamos como algo puro e intocável, e isso não poderia ser diferente. Mas se uma promessa é uma lei pessoal, um contrato, então ela deveria ser elaborada em letras pequenas, com regras e condições, com promessas dentro de promessas, e quer a gente goste ou não, deveria ser alguma coisa que pudéssemos resgatar, que devêssemos resgatar, caso essas regras fossem violadas. E se uma promessa fosse feita com cuidado, ela deveria ser aceita com mais atenção ainda, e com o contrato inerente de que ela é condicional. Porque fazemos essa promessa de boa-fé, debaixo de uma árvore no verão, ou numa igreja ou no escuro, de mãos dadas. E então chega o outono e o inverno e o ciúme sombrio, ou a depressão infindável, ou um milhão de outras flechas envenenadas, e tornam você prisioneiro dessa promessa. Promessas dentro de promessas já foram quebradas, mas é complicado demais para um coração indomável aceitar esse fato. Traição é uma via de mão dupla.

Deb Caletti in “Um Lugar para Ficar”

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