Término do namoro

O término do namoro é previsível, repetitivo e entediante. Ela quer continuar sua amiga, está se sentindo sufocada; o problema é sempre ela e nunca você; e então você fica arrasado e ela, aliviada; é o fim para ela e só o começo para você. E, do ponto de vista de Colin, havia uma repetição ainda mais significativa: toda vez, as Katherines terminavam porque simplesmente não gostavam dele. Todas chegavam precisamente à mesma conclusão. Ele não era maneiro o suficiente, ou bonito o suficiente, ou tão inteligente quanto esperavam — resumindo, ele não era importante o suficiente. E então isso foi acontecendo repetidas vezes, até que ficou chato. Contudo, monótono não é sinônimo de indolor. No primeiro século da Era Comum, autoridades romanas puniram Santa Apolônia quebrando e arrancando seus dentes, um a um, com alicate. De vez em quando Colin pensava na relação disso com a monotonia do fora. Nós temos 32 dentes. Depois de um tempo, provavelmente, tê-los arrancados um a um se torna um fato repetitivo, enfadonho até. Mas nunca deixa de doer.

John Green in “O Teorema Katherine”

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