O socorro não veio

O socorro não veio, nem de vocês nem de ninguém, e fui obrigado a me investigar e afundar em mim mesmo durante todo esse tempo, no começo assim como quem cava um poço no deserto, depois, aos poucos, sentindo a areia mais úmida, uns filetes d’água brotando lentamente, até agora, quando me sinto na iminência de mergulhar o corpo nesse lago (talvez mar)-eu-os outros-cosmos, não sei.

Caio Fernando Abreu in “Cartas”

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