Cartas para Outros Ninguém – II

N.

Essa possibilidade iminente de seu retorno do passado tem me tirado o sono. Penso o tempo todo em você, em mim, na gente. Invento histórias para o nosso reencontro, invento finais felizes.
Numa dessas histórias, você está tão lindo e alto como era, sentado em sua moto parado em frente à faculdade. Eu corro para você e você me abraça, já de capacete na mão. Sinto seu cheiro de recém saído do banho, sinto o calor do seu abraço e me sinto protegida e feliz.
Um dia brigaremos, porque nesses anos de separação você seguiu com a vida. Casou-se, tem filhos. Em outra versão, está separado-se ou já separado. E na minha melhor versão, você ficou eternamente parado no tempo, naquele momento que eu vacilei.
Dessa vez, eu vacilo novamente, mas você não. Você me puxa pra você, insiste e eu cedo. Cedo meus medos, minhas inseguranças e volto a ter 15 anos. Então não ligarei mais para aqueles problemas de antes, ridículos e impossíveis como nos parecem quando somos tão jovens.
Hoje entendo que fui fraca, covarde. Quero consertar o que não fiz.
Eu tinha medo do felizes pra sempre. Era bom demais pra ser verdade e eu não era merecedora. Mas eu paguei meu calvário, estou renovada para viver daqui pra frente.
Então venha, venha logo.
Te espero.

F.

Anúncios

Um comentário sobre “Cartas para Outros Ninguém – II

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s