Honestidade e Estudo

Nesta quinta-feira, o ex presidente Lula, convocou um comício para convidados para politizar a denúncia de que foi alvo. A certa altura, a pretexto de criticar o Ministério Público, Lula saiu em defesa da classe política, com o seguinte pronunciamento:

“Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política. Mas a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o povo, e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e está com emprego garantido o resto da vida. O político não. Ele é chamado de ladrão, é chamado de filho da mãe, é chamado de filho do pai, é chamado de tudo, mas ele tá lá, encarando, pedindo outra vez o seu emprego”

A frase do Sr.Ex.Presidente só reflete o quanto faz falta o estudo. Com certeza, ele não queria dizer “honesta” no sentido de honestidade, mas provavelmente quisesse ilustrar a dificuldade de se manter uma imagem e pedir votos de quatro em quatro anos. Que, provavelmente, manter uma imagem é difícil, portanto, a pessoa deve ser o que ela tenta “vender”. E consigo interpretar isso sem ser partidária.

E também sei, que o objetivo desse discurso era desmerecer o trabalho do Ministério Público, portanto, operadores do direito concursados.

Lula, muito provavelmente, não faça ideia do quanto é difícil trilhar os caminhos do Direito. Todo dia a gente vê injustiça, todo dia sai lei nova, todo dia muda o entendimento jurisprudencial. Faça chuva ou faça sol, tem que ir no fórum, reclamar que o processo não anda, ser atendido por cartorário mal humorado, suplicar para o juiz, pegar fila pra protocolar uma peça. E o cartorário tem mil processos pra organizar, o povo no balcão querendo a resolução na hora, o juiz tem meta, tem que usar bola de cristal pra adivinhar o óbvio que não foi descrito no processo.

A gente estuda 5 anos. Faz mais 2 de pós. E não para nunca. Tem mestrado, doutorado, especialização. Muda a lei, tem que fazer atualização. Tem que fazer curso, reciclagem, todo dia. Tem que ler jornal, assistir tv senado e tv câmara, ler a  mala direta daqueles 10 sites que monitoram as notícias relevantes ao “mundo jurídico”, porque a gente não pode perder nada. Tem que saber de tudo.

Pra responder só “uma perguntinha” de graça. Todo ano tem que comprar um vade mecum novo, tem que pagar o boleto da OAB.

Pra ajudar uma mãe que teve o filho sequestrado pelo pai. Pra ajudar uma pessoa que está perdendo sua casa porque não leu um contrato. Pra ajudar um trabalhador que foi demitido sem receber um tostão.

Pra ouvir que honestidade é manter uma imagem.

Um dia, eu votei no Lula e o defendi como presidente desse país. Não me arrependo. Eu tinha esperança.

Mas hoje, eu sou a favor de uma reforma eleitoral/política. Menos partidos, mais requisitos para um candidato se eleger. Acredito que a pessoa tenha que ter uma graduação correlata com a função legislativa. Que seja economista, bacharel em direito, em ciências políticas ou sociais. A vocação de um cantor não é fazer lei. A vocação de um palhaço não é fazer lei. O que eles sabem de lei?

Lula foi infeliz em seu discurso, isso é fato.

E nem tenho mais argumentos para continuar meu raciocínio, de tão inconformada que me sinto.

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