Doces palavras

“Por favor, fique comigo essa noite.”
Ah, que doces palavras ele tem. Ele sabe o que dizer, as palavras certas.
Então não suporto, quero calá-lo e meus lábios tocam os dele. Suaves, mornos, perdendo a timidez aos poucos. Invado, misturo, tornado. Dentro de mim cresce a chama, quero-o. Quero dizer-lhe que o amo, que ficarei para sempre, mas não há tempo, não há espaço. Beijo-lhe a ponta da orelha, seu pescoço e clavícula. Qual o peso do fardo que ele carrega?
Seu peito em ondas onde emergem duas pérolas. Quero saboreá-las de tão preciosas que são para mim.
Suas costelas escondem seu coração, a verdade é que quero abri-las, rasgando-lhe a carne e com mãos sangrentas abrir-lhe o coração. Quero morar nele, sozinho, senhor supremo de todo sentimento que existe nessa alma.
Dobro seu corpo, enrolo, alfineto. Somos um em erupção.
Então ele me abandona, exausto, na serenidade do sono satisfeito. Me deixa só, novamente, a velá-lo, idolatrá-lo.
Ouço-o murmurar meu nome.
Ah, que doces palavras ele tem. Pena que o momento certo já não está mais entre nós.

Poetriz

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Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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