Acreditas em tudo

Se o avião cair, Claríssima, pelo menos morro contigo, eu nem sequer tenho medo de morrer, mas não é isso que te digo, pergunto-te se achas que os tipos abrem as portas a ateus, mas pergunto-te esta parvoíce só para não ficar calado, só para tu não perceberes o meu pavor, o meu amor, a comoção de estar assim contigo a voar para não sei onde, para os braços do teu amante morto, para o colo do teu Padre Eterno, para dentro e fora de ti ao mesmo tempo, eu sei que tu não és ateia, Clara, acreditas em tudo, só não acreditas em mim.

Inês Pedrosa in “A Eternidade e o Desejo”

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