Dores Invisíveis

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Martha Medeiros in “Dor Física x Dor emocional”

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Um comentário sobre “Dores Invisíveis

  1. E quem padece esta dor incontornável, também é ridicularizada/o, menosprezada/o, inferiorizada/o por quem não a compreende, ainda que, alguma vez, agudamente e demoradamente, também a tenha sofrido. Então, sofremos a dor oriunda das causas/razões primárias e, não bastasse isto, das secundárias, oriundas de oportunistas que ou violentam para terem de quem zombar, alegrarem-se, fortalecerem-se (produzem vítimas) ou aproveitam-se de quem verificam enfraquecida/o, fragilizada/o, sensibilizada/o, vulnerabilizada/o, enfim. Psicologicamente, moralmente, fisicamente. Não bastassem as chagas, sobrevêm os estigmas. Há espancadoras/es, espancadas/os e quem se aproveita de espancadas/os. Aproveitadoras/es ativas/os ou passivas/os (estes últimos como observadoras/es, satisfazendo-se assim). E não se pode queixar da dor, muito menos acusar/incomodar a/o algoz, porque, caso contrário, é-se chamada/o de vitimista, miserabilista – ou algo que o valha –, além de, no campo moral, chamada/o de mentirosa/o, inventor/a, falsificador/a – ou algo que o valha – e, no campo psicológico, de delirante, alucinada/o, lunática/o, insana/o – ou algo que o valha. Apanhar, permanecer calada/o, sentir a dor por meses, anos e, enquanto isto, fingir convincentemente que ninguém fez nada, nada aconteceu, nada está acontecendo. Enfraquecem, mas exigem força; entristecem, mas exigem sorrisos, risos, gargalhadas; enfurecem, mas exigem calmaria, tranquilidade; adoecem, mas exigem saúde; mortificam, mas exigem excelente vitalidade. “Hipocrisia, demagogia e cinismo? Imagine! É coisa da sua cabeça! Olha o respeito, moça/rapaz!” Há tempos está apavorador e cada vez mais trabalhoso, difícil, penoso, entristecedor (adoecedor) coexistir sendo encontrado pela primeira vez ou reencontrado por aquela má qualidade que não sei se há palavra que a caracterize fidedignamente, quiçá defina (enfim sem fim)…

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