Inveja

O objetivo da competição é a comparação. E a comparação é o início da inveja e da infelicidade humana.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Coitado do Corpo”

Semana passada fui passear na Liberdade, reduto oriental em São Paulo. Reduto é feio né? Paraíso oriental, fica melhor. Comprei um bonsai bem baratinho e pequenininho. E uma pulseira de pimentinhas pra afastar o mal olhado.
Eu já tive uma pimenteira antes no emprego anterior. A pobrezinha morreu no dia seguinte ao que levei pro trabalho. Toda esturricada, como se tivesse passado semanas no deserto.
A pulseira, não que seja uma bijouteria assim das melhores que existem no mundo, mas também não era pra desbotar inteira na segunda vez que eu uso. Era?
Na dúvida, vou levar água benta pro trabalho.

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No mundo da poesia

Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– A Pipoca”

Feliz onde estamos

Pensamos porque não estamos felizes onde estamos.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– O Sermão das Àrvores”

Um pouquinho de dor

As pessoas totalmente felizes não conseguem pensar pensamentos interessantes. É preciso ter um pouquinho de dor para que o pensamento pense bonito.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Dor-de-Idéia”

Pensar

Ensinar a pensar é mais importante que pesquisar. É do desenvolvimento da capacidade de pensar que se forma um povo. Povo que não sabe pensar fica à mercê das mentiras.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– A aula e o seminário”

Mais competente com as palavras

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– A Pipoca”

Magnólias

Era todo arborizado com magnólias. As flores das magnólias são quase insignificantes. Mas o perfume é maravilhoso. Quem respira o perfume de uma magnólia tem a alma tocada pelo divino.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Em defesa das árvores”

Escutatória

Sempre vejo anunciados cursos de oratória.
Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Escutatória”

Filosofia

Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Escutatória”

Criar é cura

Heine, poeta alemão, no seu poema A canção do Criador diz que Deus resolveu criar para se curar. “A doença foi a fonte do meu impulso criador”, diz Deus.
“Criando, convalesci, criando, fiquei sadio de novo.”

Rubem Alves in “Em nome do Avô, do Neto e da Brincadeira”