Mal do Mundo

Mas não julgues que foi o amor que me cegou. É verdade que o amor cega, paralisa, entorpece — mas apenas para tudo o que não é o amor. E tudo o que não é o amor é o mal do mundo. Não vale nada. Amei o bastante para já não temer nada.

Inês Pedrosa in “A Eternidade e o Desejo”

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Reflexões de fim de ano – I

Estava anotando os últimos filmes que vi e resolvi olhar a contagem.

Ano passado, assisti ao todo 133 produções. Foi o ano que descobri os doramas, passei os primeiros meses devorando série após série. Mas logo em seguida, veio a vida e seus compromissos. Terminei minha segunda graduação, fiz (em cima da hora) e apresentei minha monografia, corri pra entregar os trabalhos obrigatórios e relatórios de estágio. Estudei muito, prestei o exame da ordem e passei na primeira fase no final de novembro.

Esse ano foi o inverso, com a aprovação na primeira fase do exame da ordem no fim do ano anterior, faltava a temida segunda fase. Fiz cursinho, estudei de domingo a domingo, acordava cedo, dormia de tarde e voltava pros estudos, fazendo exercícios. Tanto esforço não poderia ter outro resultado: passei!

E quando achei que finalmente ia poder focar nos filmes, resolvi prestar um concurso, arrumar emprego, resgatar o FGTS inativo que o Temer liberou. Eu perdi 3 dias quase que inteiros na CEF, sentadinha, esperando minha senha, pra poder liberar esse dinheiro! rsrsrs

E na correria desse ano, assisti 174 produções. Porém, o cardápio desse ano foi muito mais variado. Voltei a ver animes – quem não assiste, não sabe o que está perdendo! Tem história pra todo o público, tem romance, terror, suspense, policial, monstros. E os clássicos de heróis super poderosos que derrotam inimigos com efeitos pirotécnicos.

Dos animes, quero destacar Haikyuu – pros amantes do esporte vôlei – e Boku Dake ga Inai Machi que é um suspense policial que também é série, atualmente exibida pela Netflix com o nome de Erased.

Também esse ano, descobri os BL (boys love). São histórias, em sua maioria inocentes, sobre a descoberta do amor entre meninos. Aquele romantismo que a gente não vê mais em histórias pós Cinquenta Tons.

Pro ano que vem, pretendo novas mudanças. Queremos mudar de casa, devido ao problema com os vizinhos que fazem festas constantemente, com o som no último volume, que duram um fim de semana inteiro ou mais. Mudar de casa tem outras implicações de tempo, emprego, etc…

Espero que 2018 vem com boas energias, que traga boas surpresas e finalmente, paz. Pra mim, minha família, e vocês que aparecem por aqui e acompanham o blog. ♥

O guardador de rebanhos – VIII (trecho)

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

Alberto Caeiro in “O guardador de rebanhos e outros poemas”

Feita de ilusão

Neste Natal, mais uma vez, muda o carro e toca mesmo. O pai faz abrir a mala do automóvel e de lá espreitam embrulhos e celofanes. São mais os enfeites que os conteúdos, mas não é assim mesmo a festa: feita de ilusão e brilhos maiores que as substâncias?

Mia Couto in “O Fio da Missangas” (Na tal noite)

Saltar no abismo

Creio que é mesmo esse desejo inconfessado de saltar para fora da fila o que te atrai em mim, precisas da minha mão de cega para isso, sozinho não tens coragem, olhas para o lado e vês o abismo.

Inês Pedrosa in “A Eternidade e o Desejo”

Um mundo fantástico dentro da gente

As vezes a vida do lado de fora é bruta demais, é preciso criar um pouco de fantasia e esperança pra sobreviver ao dia-a-dia. Essa listinha são de personagens que possuem uma imaginação muito grande a ponto de afetar a vida de outras pessoas e deixar, por assim dizer, mais bela.

    • A vida é bela – Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.
      O filme levou o oscar de melhor filme estrangeiro, tirando a estatueta do Brasil que concorria com “Central do Brasil”.
      A história é muito triste, porque afinal a gente sabe como foi a vida dos presos em campos de concentração, mas a dedicação desse pai é de arrancar lágrimas. Ele conseguiu transformar dias tristes, numa grande gincana e dar um pouco de alegria para a família. Toda vez que ele tinha oportunidade, conseguia chegar no microfone do campo e dizer “buongiorno, principessa!!”.
      É uma ótima oportunidade de conhecer o cinema italiano.

    • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – Outro filme de língua não inglesa. Depois de estudar francês por cinco anos, tenho uma empatia muito grande com o cinema francês. Não dá pra me considerar uma fã, mas já assisti muitos filmes excelentes desse país.
      Faz tanto tempo que vi o filme, que peguei a sinopse do filmow: “Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete.
      Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo e é assim que encontra Dominique (Maurice Bénichou). Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo.
      Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor.”
      A graça do filme é a forma como Amelia passa a ver a vida e ajudar todos ao seu redor. Mas acho que mais marcante mesmo é a história do gnomo que inclusive já foi utilizado em vários filmes e propagandas. Ah, a idéia do gnomo não foi original do filme, não, foi uma brincadeira de internet que aconteceu na Europa e inspirou o autor da história.
      Depois que a mãe de Amélie morre, o pai dela não sai mais de casa e só pensa em cuidar do jardim, onde cria um pequeno mausoléu para abrigar as cinzas da esposa. Até um anão ele coloca lá. Certo dia, o gnomo danado some e o pai de Amélie começa a receber fotos do pequenino em várias partes do mundo.
      É um filme pra repensar a vida cotidiana, e enxergá-la com mais poesia e alegria.

    • Kodaike no Hitobito – Hirano Kie é uma funcionária comum de uma empresa, introvertida e com uma imaginação fértil. Já Kodai Mitsumasa trabalha na mesma empresa, mas ele é um assalariado de elite e bem sucedido. Ele é o filho mais velho da família Kodai e possui uma habilidade especial: ele é capaz de ler a mente de outras pessoas. Mitsumasa se sente atraído pelo coração caloroso de Kie e seu temperamento sonhador. Eles começam a namorar, mas a mãe de Mitsumasa é contra o relacionamento.
      Kie não sabe, mas quase todos os membros da família Kodai tem o mesmo poder, incluindo sua irmã mais nova Shigeko, seu irmão mais novo Kazumasa e sua mãe Yoko. O único que não consegue ler a mente das pessoas é o pai Shigemasa Junior.
      A história é divertida pelos pensamentos sonhadores e caricatos de Kie. Ela tem respostas divertidas para as situações mais adversas, por exemplo, quando ela se questiona o teria de impressionante para conquistar uma pessoa tão rica e importante como Mitsumasa, ela recorda que aprendeu a “nadar peito” quando criança e começa a sonhar com uma campeonato onde ganha o primeiro lugar – o que a tornaria merecedora desse relacionamento.
      Entretanto, quando Kie descobre que seus pensamentos são lidos/ouvidos por todos da família, ela sente muita vergonha e repensa seu relacionamento.
      É um filme divertido, romântico e com uma pitada de drama.
      Filminho japonês, pra se divertir numa tarde.

Anteriormente eu já fiz a listinha de mocinhas que se passam por meninos e das viagens românticas à eras passadas.

Palavras líquidas

Dentro de mim, vão nascendo palavras líquidas, num idioma que desconheço e me vai inundando todo inteiro.

Mia Couto in “O Fio da Missangas” (O peixe e o homem)

Felicidade que não se vê

Peço-te que não me contes histórias de despedidas. (…) Peço-te que olhes para o que fazem as pessoas felizes — são essas que preciso de ver. Dizes-me que te peço demasiado, que a felicidade não se vê.

Inês Pedrosa in “A Eternidade e o Desejo”

Deu-se o encontro

Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro.

Rubem Alves in “Carta a um amigo”

Murchando

A gente precisava amar, ou acabava murchando e morria.

V. C. Andrews in “A Saga Dos Foxworth – O Jardim Dos Esquecidos”