Avaliação do BEDA

O primeiro blog que eu tive era um diário. Eu contava meu dia-a-dia, desabafava e rascunhava um texto ou outro. Mas com o tempo, vieram comentários maldosos a respeito dos meus desabafos e não da minha “literatura”. Foi aí que meio que parei.
Passei a usar textos de outras pessoas para refletir o que eu sentia e pensava naquele dia. Isso também foi mudando com o tempo, quando começaram os comentários questionando a autoria das frases.
Por fim, o blog virou isso que vocês conhecem: trechos de livros que eu mesma li, falas de um filme e meu novo jeito de desabafar, mais poético e por vezes ficcional, que são as cartas. Raras vezes eu compartilho ou busco citações por aí, e quando o faço, tento ao máximo verificar a autenticidade.

A frequência também é importante para mim. Nunca coloco o mesmo autor em dias seguidos. Gosto de intercalar com outras citações, até de outras mídias.
Nesse ponto, o wordpress é sensacional, pois permite o agendamento de posts e assim, muitas vezes eu deixava 10, 15 citações agendadas e ninguém percebia/sabia que eu não logava nesse blog há semanas.

Isso, porque meu tempo foi ficando escasso para esses prazeres da vida. Esse ano, estou terminando agora, a leitura do segundo “livro de romance”. Se olhar o histórico de leituras, desde que comecei a contar passei dos 20 em quase todos os anos. E sem leitura, não há citações. E sem citações, esse blog tem tido posts cada vez mais esporádicos.

Eu não escrevo/colo minhas citações para obter audiência, mas não posso negar, que o retorno estimula, faz querer ler mais, escrever mais, melhorar. Lá no início dessa vida de blogueira, haviam os comentários, eram poucos, mas era um canal de comunicação. Hoje, as pessoas “curtem” e acaba ali a interação. Acho que até mesmo os blogs estão mais abandonados, as pessoas não escrevem mais, não leem. A moda é ser youtuber, snapchatter.

Enfim, avaliando essa proposta de postar todos os dias de Agosto, concluo que foi um objetivo exclusivo para o autor do blog. Para que ele tenha mais disciplina, se organize, busque mais daquilo que seu blog expressa. O que faz disso meio que uma obrigação. E sem retorno ou reconhecimento.

E esse blog aqui, não é obrigação. É um prazer raro, um escape, um pouco de sonho.
É homeopatia. São gotinhas de florais. Que se a gente deixa de tomar não mata. Mas quando a gente toma, nos faz sentir esperança.

Para terminar agosto

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

– Caio Fernando Abreu in “Pequenas Epifanias”

#BEDA30

Te vejo primeiro

Quando estou em grupo de pessoas, eu sempre acabo inconscientemente tentando te encontrar.
Mesmo que eu veja a pessoa errada, eu sempre te procuro.
E quanto estou tentando te encontrar, não importa o quão grande o grupo é, de alguma forma eu te encontro primeiro.
Eu fico pensando se isso que é se apaixonar.

– Ao Haru Ride

#BEDA28

Coisa seca

Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.

Caio F. Abreu in “Morangos Mofados”

#BEDA25

Coragem

“Porque – disse ela – quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem.”

– Neil Gaiman in “Coraline”

#BEDA22

Perambulado pelo mundo

“Se nós não tivéssemos nos conhecido, acho que eu teria compreendido que minha vida não estava completa. E teria perambulado pelo mundo à sua procura, mesmo se não soubesse o que estava buscando.“

– Nicholas Sparks in “Uma Longa Jornada”

#BEDA21

Amor em agosto

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. (…) Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

– Caio Fernando Abreu in “Pequenas Epifanias”

#BEDA20

Cartas ao amor ausente – III

Pai,

Hoje faz doze anos ou mil anos, não sei exatamente. E sempre choro ao lembrar de você.
Também os sonhos mudaram, cada vez mais esparsos. Acho que o último foi no seu aniversário. A V. que reclama que nunca sonha com você. Mas sonhar é pouco, um abraço seria muito melhor.
Aqui tua ausência foi preenchida com muitos cachorros. Perdeu-se a conta. Era amor demais para dar e um vazio muito grande pra preencher.
Eles trazem alegria e barulho. Tem horas que até incomodam. Mas como não amar essas criaturas abandonadas pela vida?
Billy é o caçula, em ordem de chegada. Ele é o único menino entre elas, entre nós.
Ele também sofreu uma perda recente, esse é o único que não foi largado na rua. Billy tinha lar e amor. Alguém que cuidava de sua doença. Ele tem epilepsia.
Estamos em época de olimpíadas. E não tem mais graça assistir vôlei ou futebol sem seus comentários. Ou qualquer outro esporte. Eu digo para os outros que eu não ligo, não acompanho. Mas a verdade é outra.
Ontem resolvi ver um trecho de um jogo de volei, mas não suportei e fui dormir.
Acordei de madrugada, com os gritos da V., porque o Billy estava convulsionando.
Parece que ontem também, ele teve uma emoção muito forte ao rever uma amiga da ex-dona dele.
Ele ficou mais de uma hora convulsionando e eu fiquei ao lado dele, acariciando sua testa, esperando ele se acalmar.
Você se lembra?
Afinal, o que mais se pode fazer quando a saudade bate tão forte assim?
Fiquei ali, até que meu coração também se acalmou.

F.

#BEDA19

Nana

Acho que Nana foi meu primeiro anime, pelo menos é o que eu me lembro de amar loucamente essa história, esses personagens e chorar por essa história não ter tido um fim.

Duas garotas chamadas Nana se encontram em um trem rumo a Tóquio por acaso. Depois de uma série de coincidências, elas acabam vivendo juntas em um apartamento de número 707 (“nana” significa “sete” em japonês). Apesar de terem personalidades e ideais diferentes, as duas acabam se tornando amigas “por obra do destino”.

Uma é roqueira e tem uma banda. Só que o namorado dela é de outra banda, eles meio que tiveram um desencontro de objetivos profissionais e por isso se separaram.

A outra Nana é a famosa “sonsa-fofa”. Vocês conhecem personagens assim. Elas caem, fazem besteiras, choram a toa, pagam mico a toda hora e você se apaixona perdidamente por elas.

A história já foi adaptada em dois filmes e um anime. E não teve fim! E hoje li a notícia de que a autora, Ai Yazawa, revelou que deseja um dia terminar seu mangá NANA, que está em hiatus desde 2009. Ela também pediu desculpas aos fãs por fazê-los esperar todo esse tempo.

O mangá foi lançado em 2002 e em 2009 entrou em hiatus devido a internação da autora por conta de uma doença não revelada. Em 2010 foi anunciado que Ai Yazawa saíra do hospital mas não tinha planos de quando ou se voltaria a trabalhar no mangá. Com 21 volumes até o momento, a obra é publicada aqui no Brasil pela editora JBC.

Fonte: Crunchyrol

#BEDA18

Dia perfeito

-Deixa eu te perguntar uma coisa: você acha que existe um dia perfeito?
-O que?
-Um dia perfeito. Do início ao fim. Quando nada de terrível ou triste ou comum acontece. Você acha que é possível?
-Não sei.
-Você já teve um?
-Não.
-Também nunca tive, mas estou em busca dele.

Jennifer Niven in “Por Lugares Incríveis”

#BEDA16