No campo coberto de neve

Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem-
Os flocos de neve caem aos montes,
Abraçando até o som dos faisões e codornizes
Retornando a seus ninhos.

Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem-
Os flocos de neve caem como algodão fofo,
Abraçando até mesmo o som das garotas com faces rosadas
Retornando a seus ninhos.

Abraça até o som de todas as fortunas voltando para casa,
O choro,
O riso,
Os sobrecarregados
Agora se tornando fortes.

Para os grandes, grandes traços de lágrimas,
Para os pequenos, pequenas linhas de riso;
O som de grandes histórias e pequenas histórias
Voltando para casa, sussurrando suavemente.

Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem,
Está tudo bem-
Os flocos de neve caem constantemente,
Abraçando até o som de muitas montanhas –
As Montanhas Azuis* voltando para casa.

Seo Jeong-ju (1915 – 2000)

* Montanhas Azuis: montanhas míticas situadas em algum lugar em China.

PS: A tradução foi feita por mim, livremente. Encontrei um blog só de poemas coreanos. Não constam as obras, infelizmente.

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Flores de Algodoeira

Mana,
é… comovente

Estas flores, brancas e vermelhas, úmidas e mansamente curvadas
dentro deste azul que se acumula como água de um poço,
foi você mana,
foi você quem as floresceu, não foi?

Este azul de outono — ecoaria num toque de dedo
e até as rochas se esfarelariam todas…

Não foi você, que atravessou aquela dormente primavera
Não foi você, que atravessou aquele imenso verão,
e curvando-se de cima a baixo por essa ladeira de plântagos
fez que florescessem, não foi?

Seo Jeong-Ju

Poema reunido por Ji Hyun Lee no livro
“O Pássaro que comeu o sol: poesia moderna da Coréia”.
Tradução de Yun Jung Im

Junto ao crisântemo

Terá sido para abrir este crisântemo
que o cuco chorou tanto
desde a primavera…

E terá sido para abrir este crisântemo
que o trovão chorou tanto
dentro das nuvens negras…

Flor, pareces a minha amada irmã
de volta agora diante do espelho,
após a longa juventude de longínquas sendas
de peito aflito de saudade e anseio

Terá sido para as tuas douradas pétalas se abrirem
que na noite passada a geada gelou tão fria
e eu não pude nem pegar no sono…

Seo Jeong-Ju

Poema reunido por Ji Hyun Lee no livro
“O Pássaro que comeu o sol: poesia moderna da Coréia”.
Tradução de Yun Jung Im