Ou não sou um escritor? Na verdade sou mais ator porque, com apenas um modo de pontuar, faço malabarismos de entonação, obrigo o respirar alheio a me acompanhar o texto.
Clarice Lispector in “A hora da estrela”
Poetor Julho 11, 2009
Ananias Julho 10, 2009
Ananias olhou a folhinha: 11. 11 de setembro. Tomou uma cafiaspirina. Deitou-se. Sobre a cadeira fulgem agora o metal dos óculos, o monograma do relógio, o vidro do copo. Fulgem, nos travesseiros, os seus cabelos grisalhos. O resto é sombra. Dorme, Ananias,
que o bicho tatu
já vem te pegar..Noite adentro, a alma de Mestre Rembrandt vai enchendo de sombra e prata o lívido interior de cinema mudo. De sombra e prata, e irreparável tristeza… Mas o mais triste de tudo é que eu não conheço nenhum Ananias neste mundo. E um dia Deus me pedirá contas de mais essa vida inútil, sem finalidade…
Mário Quintana in “Sapato florido”
Dos livros e filmes Julho 9, 2009
Terminei finalmente de ler “A identidade Bourne”. Fiquei triste pelo filme ser muito melhor que o livro. Normalmente acontece o oposto, no máximo o livro e o filme costumam divergir em algumas cenas. Mas nesse caso, decepção total.
Peguei “O ovo apunhalado” do Caio F. Abreu pra ler. Queria um livro curto, pra começar a ler o quarto livro da saga das guerras anglo-saxônicas. Porém, dessa vez Caio anda me deprimindo. Seus contos fantasiosos que tratam de loucos, seres fantasticos, aliens, tudo isso não tem me agradado.
No meu trabalho anda a febre de “Crepúsculo”. Não vou negar, esses livrinhos são gostosos de ler. Estou enrolando apenas pra ler o último: “Midnight sun”.
Também estava atrasada quanto à alguns filmes e já estou atualizada. Assisti:
- Diamantes de Sangue
- A Troca
- O Leitor
- Ele não está tão a fim de você
- O jardineiro fiel
- O amor no tempo do cólera
- Quem quer ser milionário
Se eu disser que chorei em quase todos, me acharão muito sensível? Todos recomendadíssimos!
Se contarmos Julho 8, 2009
se contarmos todas as palavras que trocamos
daria para escrever um bom romance
eu nem te conhecia e contei meus absurdos
tu nem me conhecia e contou teus muitos planosse contarmos todos os olhares que trocamos
daria para encher um lago inteiro
eu nem te conhecia e contei o meu passado
tu nem me conhecia e contou teu desesperose contarmos todos os silêncios que trocamos
daria para povoar um edifício
eu nem te conhecia e contei meus vinte anos
tu nem me conhecia e contou teus sacrifíciosse contarmos todas as fantasias que trocamos
daria pra dizer que amantes fomos
mas o amor exige beijos e abraços
e não reconheceu o nosso encanto- Martha Medeiros in “Poesia Reunida”
Um bom tempo calado Julho 7, 2009
Quando alguém permanece um bom tempo calado, se não estiver dormindo deve estar pensando no amor ou na morte.
- Milton Hatoum in “Relato de um certo oriente”
Memórias vivas Julho 6, 2009
Com o tempo — no tempo — aquelas semanas que haviam passado juntos se apagariam e ficariam reduzidas a um segredo enevoado, um guardado de pequenas riquezas para ser aberto e tocado em momentos calmos e silenciosos. E nada mais, pois a vida é sentida pelo poder das memórias vivas, as que adormecem perdem o significado. Ninguém sabia disso melhor do que ele.
- Robert Ludlun in “A identidade Bourne”
Crise Julho 5, 2009
Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque…
Mário Quintana in “Sapato florido”
Verdade Julho 4, 2009
O que você pensa que é a verdade, talvez não seja o que eu penso — comentou Hugo: — Somos traduzidos em palavras. As palavras não querem dizer nada. Servem só para formar uma verdade comum a todos, que afinal não é de ninguém.
Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”
Só ele vê Julho 3, 2009
A aparência é de um homem solidamente plantado neste mundo. Mas não é verdade. Seu coração e sua cabeça movem-se de acordo com uma lógica estranha de um outro mundo que só ele vê.
Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Em defesa da Vida”
Pontos Julho 2, 2009
Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e “gran finale” seguido de silêncio e de chuva caindo.
História exterior e explícita, sim, mas que contém segredos – a começar por um dos títulos, “Quanto ao futuro”, que é precedido por um ponto final e seguido de outro ponto final. Não se trata de capricho meu - no fim talvez se entenda a necessidade do delimitado.
(Mal e mal vislumbro o final que, se minha pobreza permitir, quero que seja grandioso.) Se em vez de ponto fosse seguido por reticências o título ficaria aberto a possíveis imaginações vossas, porventura até malsãs e sem piedade.Clarice Lispector in “A hora da estrela”









