A educação, na minha época…

Eu achava engraçado minha mãe falando que “na minha época, a gente cursava só até a quarta série”. E hoje, eu ia comentar uma notícia e me peguei falando “na minha época…”, quando comecei a rir e decidi escrever esse post.

O novo Presidente da República anunciou uma reforma no currículo escolar, tudo visando consertar aquele índice de aprovação/rendimento escolar que foi noticiado anteriormente que caiu ainda mais nos últimos anos. Mas a medida já está causando polêmica nos meios sociais, com a retirada de matérias como filosofia, sociologia, artes e educação física.

Meu primeiro contato com filosofia e sociologia foi nessa segunda graduação, em Direito. Essas matérias, ao meu ver, são essenciais para o Direito. Com ela, aprendi a olhar o ser humano de outra forma, seus comportamentos em grupo e a necessidade das leis. Como se vê, o foco de toda a discussão que tivemos em aula foi direcionado à compreensão do direito.

Não sei qual era o foco dessa disciplina nas escolas, se também tinha esse foco doutrinário. Mas considero que o assunto é muito interessante, independente da vertente.

Educação física, no primeiro grau, era mais uma brincadeira de rua e competições. Não havia aula no sentido de explicar regras, de preparação física. O professor, praticamente, jogava a bola pra gente “brincar” e mais nada. No segundo grau, como era chamado na minha época, fiz técnico em administração e a educação física era obrigatória e em horário diferente do horário de aula, em outro período. Lá sim, o professor deu uma aula sobre corpo humano, músculos, ossos, reações químicas, regras de arbitragem. E também havia a prática. Um dia havia circuito, um dia tínhamos vôlei, em outro, baseball adaptado pra um estilo de futebol. Tinha prova escrita, tinha campeonato, tinha todos os árbitros de um jogo convencional e tinha campeonatos.

Matéria, que continuo achando importante, mas desse jeito que eu aprendi no segundo grau. Com coerência e motivação.

Já artes, é meu xodó. Não fui pra essa área, mas todo mundo sabe o quanto eu a amo de paixão. Perpectiva, origami e a história da arte. No primeiro grau, era algo que me parecia sem propósito. No segundo, tivemos história da arte e fizemos dezenas de trabalhos, que geraram uma exposição de verdadeiras obras de artes. Lembro que um “quadro” meu ganhou um prêmio, de melhor trabalho Impressionista. Conheci o nanquim e o lápis B2.

Também fiz francês, fora do horário, tudo pelo ensino público.

Mas não tive matemática ou física, e isso me fez uma baita falta na hora de prestar vestibulinho. E depois, na primeira graduação em Sistemas. Até hoje sou avessa aos cálculos.

Enfim, acho que algumas matérias devem ser o foco mesmo. Como português e matemática, em primeiríssimo lugar. E inglês também, por que não? O mundo é cada vez mais globalizado.

As demais matérias, não vou opinar. Mas é fato, que em vestibulares, há as que são cobradas e as que não são. E o objetivo do governo, está claro, que é que as crianças tenham bom rendimento no Enem.

Todo o questionamento está em retirar matérias que nos façam pensar. Mas eu acho que qualquer matéria nos faz pensar e nos molda. Tudo depende de como é passada. O professor tem que acender a curiosidade no aluno e não vomitar fórmulas e biografias.

Filosofia e sociologia estarão fora da grade, mas não da biblioteca, não da história da humanidade.

Lembro de ouvir que num tempo remoto, era proibido ler e aprender. Mas isso não impediu que algumas pessoas lessem, aprendessem e ensinassem.

Os ipês estão floridos

Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade. Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está pra chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio.

(…)

Conheci os ipês na minha infância, em Minas, os pastos queimados pela geada, a poeira subindo das estradas secas e, no meio dos campos, os ipês solitários, colorindo o inverno de alegria. O tempo era diferente, moroso como as vacas que voltam em fim de tarde. As coisas andavam ao ritmo da própria vida, nos seus giros naturais. Mas agora, de repente, esta árvore de outros espaços irrompe no meio do asfalto, interrompe o tempo urbano de semáforos, buzinas e ultrapassagens, e eu tenho de parar ante esta aparição do outro mundo. Como aconteceu com Moisés, que pastoreava os rebanhos do sogro, e viu um arbusto pegando fogo, sem se consumir. Ao se aproximar para ver melhor, ouviu uma voz que dizia: “Tira as sandálias dos teus pés, pois a terra em que pisas é santa”. Acho que não foi sarça ardente. Deve ter sido um ipê florido. De fato, algo arde, sem queimar, não na árvore, mas na alma. E concluo que o escritor sagrado estava certo. Também eu acho sacrilégio chegar perto e pisar as milhares de flores caídas, tão lindas, agonizantes, tendo já cumprido sua vocação de amor.

Mas sei que o espaço urbano pensa diferente. O que é milagre para alguns é canseira para a vassoura de outros. Melhor o cimento limpo que a copa colorida. Lembro-me de um pé de ipê, indefeso, com sua casca cortada a toda volta. Meses depois, estava morto, seco. Mas não importa. O ritual de amor no inverno espalhará sementes pela terra e a vida triunfará sobre a morte, o verde arrebentará o asfalto. A despeito de toda a nossa loucura, os ipês continuam fiéis à sua vocação de beleza, e nos esperarão tranquilos. Ainda haverá de vir um tempo em que os homens e a natureza conviverão em harmonia.

(…)

Corra o risco de ser considerado louco: vá visitar os ipês. E diga-lhes que eles tornam o seu mundo mais belo. Eles nem o ouvirão e não responderão. Estão muito ocupados com o tempo de amar, que é tão curto. Quem sabe acontecerá com você o que aconteceu com Moisés, e sentirá que ali resplandece a glória divina…

Rubens Alves in “Tempus Fugit”

Honestidade e Estudo

Nesta quinta-feira, o ex presidente Lula, convocou um comício para convidados para politizar a denúncia de que foi alvo. A certa altura, a pretexto de criticar o Ministério Público, Lula saiu em defesa da classe política, com o seguinte pronunciamento:

“Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política. Mas a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o povo, e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e está com emprego garantido o resto da vida. O político não. Ele é chamado de ladrão, é chamado de filho da mãe, é chamado de filho do pai, é chamado de tudo, mas ele tá lá, encarando, pedindo outra vez o seu emprego”

A frase do Sr.Ex.Presidente só reflete o quanto faz falta o estudo. Com certeza, ele não queria dizer “honesta” no sentido de honestidade, mas provavelmente quisesse ilustrar a dificuldade de se manter uma imagem e pedir votos de quatro em quatro anos. Que, provavelmente, manter uma imagem é difícil, portanto, a pessoa deve ser o que ela tenta “vender”. E consigo interpretar isso sem ser partidária.

E também sei, que o objetivo desse discurso era desmerecer o trabalho do Ministério Público, portanto, operadores do direito concursados.

Lula, muito provavelmente, não faça ideia do quanto é difícil trilhar os caminhos do Direito. Todo dia a gente vê injustiça, todo dia sai lei nova, todo dia muda o entendimento jurisprudencial. Faça chuva ou faça sol, tem que ir no fórum, reclamar que o processo não anda, ser atendido por cartorário mal humorado, suplicar para o juiz, pegar fila pra protocolar uma peça. E o cartorário tem mil processos pra organizar, o povo no balcão querendo a resolução na hora, o juiz tem meta, tem que usar bola de cristal pra adivinhar o óbvio que não foi descrito no processo.

A gente estuda 5 anos. Faz mais 2 de pós. E não para nunca. Tem mestrado, doutorado, especialização. Muda a lei, tem que fazer atualização. Tem que fazer curso, reciclagem, todo dia. Tem que ler jornal, assistir tv senado e tv câmara, ler a  mala direta daqueles 10 sites que monitoram as notícias relevantes ao “mundo jurídico”, porque a gente não pode perder nada. Tem que saber de tudo.

Pra responder só “uma perguntinha” de graça. Todo ano tem que comprar um vade mecum novo, tem que pagar o boleto da OAB.

Pra ajudar uma mãe que teve o filho sequestrado pelo pai. Pra ajudar uma pessoa que está perdendo sua casa porque não leu um contrato. Pra ajudar um trabalhador que foi demitido sem receber um tostão.

Pra ouvir que honestidade é manter uma imagem.

Um dia, eu votei no Lula e o defendi como presidente desse país. Não me arrependo. Eu tinha esperança.

Mas hoje, eu sou a favor de uma reforma eleitoral/política. Menos partidos, mais requisitos para um candidato se eleger. Acredito que a pessoa tenha que ter uma graduação correlata com a função legislativa. Que seja economista, bacharel em direito, em ciências políticas ou sociais. A vocação de um cantor não é fazer lei. A vocação de um palhaço não é fazer lei. O que eles sabem de lei?

Lula foi infeliz em seu discurso, isso é fato.

E nem tenho mais argumentos para continuar meu raciocínio, de tão inconformada que me sinto.

Evangelho do Velho Chico

Primeiro Testamento

No princípio era o Rio
e o Rio vinha de Deus
e sem ele nada vivia.

Quando o Rio descobriu seu curso
desenhou suas curvas e saliências assim…
séculos de aprendizagem e
constância de águas
pela fenda íntima da Canastra Opará.
O Rio nasce mineiro antes das Minas
e avança margeando
suas próprias margens
inventando sua geografia
recebendo interferências
de pedras, cerros e serras
e outros rios mais antigos que ele:
Paraopeba, Abaeté, Rio das Velhas,
Jequitaí, Paracatu, Rio Corrente,
Urucuia, Cariranha, Verde Grande.
Desvia, engana e rodeia,
insiste no percurso até se fazer baiano
antes da Bahia.
Acumula vestígios debruçando
sob seu leito lamas, areias e folhas
desesperadas por redemoinhos
da passagem.
Firme, o Rio sabe onde quer chegar
e empina seu fluxo dobrando a terra
com sua língua molhada
e lambe miudezas de animais
enormes nadadoras,
escamas luminosas, surubins,
jardins submersos de escuridão
e, em sua invenção persistente,
que não conhece dia ou noite
a não ser pelas histórias
que ele cospe na beira
de fantásticas memórias de
Pankararu, Atikum, Kimbiwa,
Truka, Kiriri, Tuxa e Pankarare
e nomear barcos, canoas,
embarcações, remos gentis
navegam conhecendo a correnteza
abrindo sulcos, garimpando lendas
esculpindo carrancas de renhidos dentes
o desconhecido.
O Rio dorme e com ele
e nele todos os seres dormem.
As águas têm sono leve
os afogados se aquietam e param de gritar
os peixes bóiam
e a cobra perde seu veneno
a mãe d’água aproveita o silêncio
para enxugar seus cabelos
e os barcos fingem que não existem mais
enquanto o Rio dorme.
O Rio míngua
finge que se esquece, deixa de correr
desbotando toda forma de vida
que não o conhecer.
Convive com todas as desistências
de climas e aridez
partilha do fracasso assíduo
da população da beira
ribeirinhos, quilombolas resistentes
e enfrenta ele mesmo sua imensidão
seu medo de morrer
e ressurge caudaloso aos poucos
em Bom Jesus da Lapa
tímida altivez
que engole águas improváveis
novíssimas de afluentes parcimosos
e generosos de umidade imensa
alma do sertão.
“Sabeis assim que sou pobre,
mãe e pai de todo o povo.”
O Rio cabeceia e vence
rompe em cheia e força
e despenca em cachos de espuma
pleno imenso glorioso
lânguido de indecisão
quer ser Pernambuco
sem deixar de ser Bahia
e arrisca o duplo
acostumando suas margens
a estar ao mesmo tempo
em mais de um lugar.
Tem pressa! Já pressente o mar
mas se atrasa em detalhes do contraditório exercitando a aridez
com promessas de grão
e se deixa ficar em Cabrobó e Petrolina.
… E avança pelo fio tênue que inventou
Sergipe e Alagoas antes de existirem
e se atira em direção ao mar
abandonando sem querer
Piranhas e Gararu.
Invadindo o mar
de igual pra igual
adeus! Piaçabuçu.
E morre doce:
cumpriu seu destino
inventou a terra e
foi morrer no mar.

Segundo Testamento

Um Rio assim
tem nome de Santo
Francisco
de antes, Chico
mais conhecido.
Leitor assíduo das linhas
de Deus e suas criaturas
na palma da mão
que feito cuia serve água
aos bebericos
ao Nosso Senhor
e todos os jegues de sua infância
e todos os jegues de sua paixão.
Ensina a nadar os peixes
e a multiplicá-los pelas mãos
de milagreiros pescadores
e fêmeos milagres de acabar com a fome.
E quando visita a roça
engravida a mandioca
de perdão, grão e farinha
Santa Eucaristia.
E conhece o corpo
de beiras e beradeiros
banha suas dores
cura nos aflitos a sofreguidão.
Quando o céu se abre
batiza os mais pequeninos.
Eis! Meu Rio amado
em suas águas há profecia,
evangelho e sabedoria
de arrastar demônios
e curar o mundo.
Paira sob suas águas
o Divino Espírito Santo.
Recebe os tecidos
de lázaros vestidos
da morte de todo dia
que trazem as santas mulheres
que descem na beira do Rio
para a Transfiguração.
Boa Hora da Lavação.
Esfregam pecado e ira
Ensaboam sangue e suor
e trazem de novo à via
panos, roupas e seus viventes
quarados no sol do agreste
e acenam com louvor ao Rio
varais de Ressurreição.

E quando chega sua hora
da morte e da traição
puído de sobra e lucro,
desmatamento e queimada,
desmando e poluição,
carrega os pecados do mundo,
esgoto e mineração, projetos mirabolantes
de cercas de irrigação
e insiste em ser bacia dos pobres:
de joelhos toma os pés do mundo
e se entorna em agua-pés.
De tortura em tortura
abrem em seu corpo as chagas
com obras e ambição
e crucificam o Velho Chico
na cruz da Transposição.

E o céu rasga o véu da verdade
sísmicos abalos dos fatos
do que diziam os profetas,
ecologistas e poetas,
geógrafos e adivinhas:
Não se mexe no curso de um Rio
que junta terra e céu, bicho e povo,
o que foi e o que pode ser
numa rede fina de vida.

Esta é a hora! Esperamos ativamente
a Páscoa de ressurreição
e ver de novo o Velho Chico
“bater no meio do mar
dormir ao som do chocalho
e acordar com a passarada
sem rádio, sem notícia
das terras civilizadas”
São Francisco Vivo: terra, água, rio e povo.

Nancy

 [Crédito da imagem: Adriano Gambarini]

Fiquei impressionada com a notícia da morte do ator Domingos Montagner no rio São Francisco, enquanto descansava das gravações da novela “Velho Chico”. Com rio não se brinca, não se brinca com segurança e não se brinca com os mistérios da ficção se tornando realidade.
Queria escrever um texto, mas resolvi pesquisar algum cordel ou algo assim, e encontrei essa poesia linda que coloquei acima aqui.

O sucesso é construído à noite

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgu
lho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo, pois ao contrário, acabará perdendo seu grande amor.
O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados. Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está. Ilusão é combustível de perdedores.
Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO.
Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA.

Roberto Shinyashiki in “O Sucesso é ser Feliz”

Resenha: It Ain’t Me, Babe

Livro: It Ain’t Me, Babe – Hades Hangmen #1
Autor (a): Tillie Cole
Editora: Tillie Cole LTD
Páginas: 466

Nota: 2
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)

Das minhas doideiras de idéias para livros que nunca escrev um dia escreverei, certa vez procurava por histórias “de motoqueiros”. É que esses livros de “romance picante para mulheres” tem pra todos os gostos: vampiros, cowboys, motoqueiros, alienígenas, etc… Mas enfim, baixei e larguei o arquivo no micro ocupando espaço.

Aí, numas das muitas páginas sobre livros que eu acompanho no facebook, alguém resenhava o livro 3 e fiquei bastante curiosa. Daí, resolvi começar pelo número 1, It Ain’t Me, Babe e como a curiosidade era muito grande, depois, fui direto para o 3º volume, Souls Unfractured.

Pelo que vi, não saiu ainda no Brasil. Eu mesma, li dessas traduções de fãs. O primeiro era quase incompreensível, deve ter sido uma tradução mecânica que nem foi revisada, o terceiro foi bem melhor traduzido.

A autora, numa nota no primeiro livro, explica que se baseou em histórias verídicas, quando entrevistou pessoas de várias religiões para um trabalho de graduação. Só isso me deixou super curiosa, eu esperava mesmo, que aparecessem coisas bizarras e absurdas, dessas religiões secretas e que fogem do senso comum.

No primeiro livro, somos apresentados à “Ordem”, uma comunidade religiosa que prega a pedofilia e o estupro como formas de pacificação dos homens, que precisam “estravazar” para se sentirem em paz para “glorificar o senhor”. Nessa comunidade, um grupo de 4 meninas lindas são chamadas de “almadiçoadas” e são retiradas do convívio da comunidade, devendo apenas servir na tal “partilha irmão-irmã”. Foi revelado ao profeta dessa comunidade, que uma dessas meninas seria a salvação ou algo assim, e portanto, ela deveria ser a sétima esposa dele. A breve descrição desse profeta, me pareceu que ele é velho e com doença venérea, mas pode não ser também, já que a tradução estava péssima.

A história começa mesmo quando essa jovem consegue fugir dessa comunidade e é resgatada por uma caminhoneira que a deixa num clube de motoqueiros. O clube de motoqueiros tem uma temática mitológica, na história de Hades, daí o nome da saga. Eles usam até as moedas nos olhos e “gírias” como “enviar para o barqueiro”, quando uma pessoa morre. Mas também, só isso.

O líder dessa gangue é mudo, na verdade ele fala, mas não em público, porque ele é extremamente gago. Menos nas horas calientes, onde nem se precisaria falar… Obviamente, ele se apaixona pela fugitiva, porque eles também se encontraram muitos anos antes, quando eram crianças. O clube é contra porque o cara, afinal, é o líder. E por isso, numa atitude, ao meu ver, muito estranha, ele deixa a moça aos cuidados de um “amigo” do clube e parte numa missão.

O tal “amigo” integra o triângulo amoroso. E, adiante, se revela como um espião da “Ordem” querendo levar a mocinha consigo.

Achei a pior mocinha das histórias das mocinhas que já li na vida. Ela insiste, não, ela irrita, enche o saco, torra as paciências mesmo, para ser amiguinha do tal “amigo da Ordem”. Ela só quer amizade. O cara, obviamente não. Aí acontecem as brigas, o sequestros, as reviravoltas. Tudo porque essa vaca santa fica persistindo nessa idéia bizarra de ter o mocinho da história e ainda o friendzone, perto dos olhos, como plano b.

Outra coisa irritante foi a construção dessa personagem. Uma pessoa, recém saída de um grupo religioso, teria uma visão deturpada das coisas e, acredito eu, levaria um tempo para se acostumar ao mundo do lado de fora dos muros. Porém, em menos de uma semana, a moça já estava vestindo calças de couro justíssimas. Cadê a tal modéstia que ela disse que tinha? Ninguém abandona os hábitos para algo totalmente contrário, do dia pra noite.

O romance do casal não foi tão ruim. Só achei nada a ver o cara ficar resistente para ficar com ela e ela se fazendo de virgem inexperiente.

A história tem muitos furos, além da construção dos personagens. Há uma guerra, que na verdade é um tráfico de armas, onde inclusive a “Ordem” é fornecedora. O governador do estado está envolvido, porém isso é apenas citado. E há os nazistas oi?! que num determinado momento aprisionam o mocinho, cortam ele fazendo uma suástica em seu peito, portanto ele devia estar dominado, concordam? E incrivelmente, ele se livra, mata todos e foge, voltando para a cama quente de sua amada.
E também há os chechenos quem?! que são citados constantemente mas até agora não deram as caras.

Os outros motoqueiros (mocinhos de livros futuros) são apenas citados e no final, as irmãs almadiçoadas são resgatadas, porque só existe mulher nessa comunidade e tem mais motoqueiro sem par, e é necessário romance para escrever novos livros.

Um plágio Uma inspiração nítida na Saga da Adaga Negra, aquela dos vampiros que não são vampiros. Porém, sem a mesma criatividade ou fôlego da Saga dos vampiros.

Avaliação do BEDA

O primeiro blog que eu tive era um diário. Eu contava meu dia-a-dia, desabafava e rascunhava um texto ou outro. Mas com o tempo, vieram comentários maldosos a respeito dos meus desabafos e não da minha “literatura”. Foi aí que meio que parei.
Passei a usar textos de outras pessoas para refletir o que eu sentia e pensava naquele dia. Isso também foi mudando com o tempo, quando começaram os comentários questionando a autoria das frases.
Por fim, o blog virou isso que vocês conhecem: trechos de livros que eu mesma li, falas de um filme e meu novo jeito de desabafar, mais poético e por vezes ficcional, que são as cartas. Raras vezes eu compartilho ou busco citações por aí, e quando o faço, tento ao máximo verificar a autenticidade.

A frequência também é importante para mim. Nunca coloco o mesmo autor em dias seguidos. Gosto de intercalar com outras citações, até de outras mídias.
Nesse ponto, o wordpress é sensacional, pois permite o agendamento de posts e assim, muitas vezes eu deixava 10, 15 citações agendadas e ninguém percebia/sabia que eu não logava nesse blog há semanas.

Isso, porque meu tempo foi ficando escasso para esses prazeres da vida. Esse ano, estou terminando agora, a leitura do segundo “livro de romance”. Se olhar o histórico de leituras, desde que comecei a contar passei dos 20 em quase todos os anos. E sem leitura, não há citações. E sem citações, esse blog tem tido posts cada vez mais esporádicos.

Eu não escrevo/colo minhas citações para obter audiência, mas não posso negar, que o retorno estimula, faz querer ler mais, escrever mais, melhorar. Lá no início dessa vida de blogueira, haviam os comentários, eram poucos, mas era um canal de comunicação. Hoje, as pessoas “curtem” e acaba ali a interação. Acho que até mesmo os blogs estão mais abandonados, as pessoas não escrevem mais, não leem. A moda é ser youtuber, snapchatter.

Enfim, avaliando essa proposta de postar todos os dias de Agosto, concluo que foi um objetivo exclusivo para o autor do blog. Para que ele tenha mais disciplina, se organize, busque mais daquilo que seu blog expressa. O que faz disso meio que uma obrigação. E sem retorno ou reconhecimento.

E esse blog aqui, não é obrigação. É um prazer raro, um escape, um pouco de sonho.
É homeopatia. São gotinhas de florais. Que se a gente deixa de tomar não mata. Mas quando a gente toma, nos faz sentir esperança.

Para terminar agosto

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

– Caio Fernando Abreu in “Pequenas Epifanias”

#BEDA30

Te vejo primeiro

Quando estou em grupo de pessoas, eu sempre acabo inconscientemente tentando te encontrar.
Mesmo que eu veja a pessoa errada, eu sempre te procuro.
E quanto estou tentando te encontrar, não importa o quão grande o grupo é, de alguma forma eu te encontro primeiro.
Eu fico pensando se isso que é se apaixonar.

– Ao Haru Ride

#BEDA28

Coisa seca

Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.

Caio F. Abreu in “Morangos Mofados”

#BEDA25