Agora sei que tenho coração

Você quer um coração? Você não sabe o quão sortudo és por não ter um. Corações nunca serão práticos enquanto não forem feitos para não se partirem.
[…]
Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está partido.

O Mágico de Oz
(filme)

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O que vai no coração

“O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.”

Van Gogh in “Cartas a Théo”
Tradução de Pierre Ruprecht

Still hurting

Jamie is over and jamie is gone
Jamie’s decided it’s time to move on
Jamie has new dreams he’s building upon
And I’m still hurting

Jamie acabou e Jamie se foi
Jamie decidiu que é hora de seguir em frente
Jamie tem novos sonhos que ele está perseguindo
E eu ainda estou sofrendo

Jamie arrived at the end of the line
Jamie’s convinced that the problems are mine
Jamie is probably feeling just fine
And I’m still hurting

Jamie chegou no final da linha
Jamie está convencido de que os problemas são meus
Jamie provavelmente está se sentindo bem
E eu ainda estou sofrendo

What about lies, jamie?
What about things
That you swore to be true
What about you, jamie
What about you

E quanto à mentiras, Jamie?
O que acontece com as coisas
Que você jurou serem verdade?
E você, Jamie?
E você?

Jamie is sure something wonderful died
Jamie decides it’s his right to decide
Jamie’s got secrets he doesn’t confide
And I’m still hurting

Jamie tem certeza que algo maravilhoso morreu
Jamie decide que é seu direito decidir
Jamie tem segredos que ele não conta
E eu ainda estou sofrendo

Go and hide and run away
Run away, run and find something better
Go and ride the sun away
Run away like it’s simple
Like it’s right…

Vá e esconda-se e fuja
Fuja, corra e encontre algo melhor
Vá e leve o sol embora
Fuja como se fosse simples
Como se estivesse certo

Give me a day, jamie
Bring back the lies
Hang them back on the wall
Maybe I’d see
How you could be
So certain that we
Had no chance at all

Me dê um dia, Jamie
Traga de volta as mentiras
Pendure-as de volta na parede
Talvez eu veja
Como você estava
Tão certo que nós
Não tínhamos chance alguma

Jamie is over and where can I turn?
Covered with scars I did nothing to earn
Maybe there’s somewhere a lesson to learn
But that wouldn’t change the fact
That wouldn’t speed the time
Once the foundation’s cracked
And I’m
Still hurting

Jamie acabou e para onde posso virar?
Coberta de cicatrizes que não fiz nada para merecer
Talvez haja em algum lugar uma lição a ser aprendida
Mas isso não mudaria o fato
Isso não iria acelerar o tempo
Uma vez que a fundação está rachada
E eu ainda
estou sofrendo

“Os últimos cinco anos”
(filme)

Ninguéns

Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.

Mia Couto in “O Fio da Missangas” (Na tal noite)

Contrariando-nos a vontade

O amor nem sempre chega quando queremos. Às vezes, ele simplesmente acontece, contrariando-nos a vontade.

V. C. Andrews in “A Saga Dos Foxworth – O Jardim Dos Esquecidos”

Sentir-se forte

“Os únicos presentes do mar são golpes duros e, as vezes, a chance de sentir-se forte.
Eu não entendo muito sobre o mar, mas sei que as coisas são assim por aqui.
E também sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte.”

– Na Natureza Selvagem (filme)

Motivo para reeguer-se

“Pois bem, sabe o que eu espero, uma vez que recomeço a ter esperanças? É que a família seja para você o que para mim é a natureza, os torrões de terra, a relva, o trigo amarelo, o camponês, ou seja, que você encontre em seu amor pelas pessoas motivo não só para trabalhar mas com que se consolar e reerguer-se, quando necessário.”

Van Gogh in “Cartas a Théo”
Tradução de Pierre Ruprecht

Feita de água

Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota.

Mia Couto in “O Fio da Missangas” (Na tal noite)

Na Fundação Casa…

– Quem gosta de poesia?
– Ninguém, senhor.

Aí recitei “Negro drama” dos Racionais.

– Senhor, isso é poesia?
– É.
– Então “nóis” gosta.

É isso. Todo mundo gosta de poesia.
Só não sabe que gosta.

Sérgio Vaz in “Flores de alvenaria”

Ainda me levanto

Podes inscrever-me na História
Em mentiras amargas e retorcidas.
Podes espezinhar-me no chão sujo
Mas ainda assim, como a poeira, vou-me levantar.

Minha impertinência incomoda?
Por que ficas soturno
Ao me ver andar como se tivesse em casa
Poços de petróleo jorrando?

Como as luas e como os sóis,
Como a constância das marés,
Como a esperança alçando voo,
Assim me levanto.

Querias ver-me alquebrada?
Cabeça pensa e olhos baixos?
Ombros caídos como lágrimas,
Enfraquecida de tanto pranto?

Minha altivez o ofende?
Não leve tão a peito assim:
Eu rio como quem minera ouro
Em seu próprio quintal

Podes fuzilar-me com palavras
Podes lanhar-me com os olhos
Podes matar-me com malevolência
Mas ainda assim, como o ar, eu me levanto

Minha sensualidade perturba?
Por acaso te surpreende
Que eu dance como quem tem diamantes
Ali onde as coxas se encontram?

Do fundo das cabanas da humilhação
Me levanto
Do fundo de um pretérito enraizado na dor
Me levanto
Sou um oceano negro, marulhando e infinito,
Sou maré em preamar

Para além de atrozes noites de terror
Me levanto
Rumo a uma aurora deslumbrante
Me levanto
Trazendo as oferendas de meus ancestrais
Portando o sonho e a esperança do escravo
Ainda me levanto
Me levanto
Me levanto

Maya Angelou in “Academia Americana de Letras
Tradução de Walnice Nogueira Galvão

Muito mais que uma ativista do feminismo, Maya foi um dos principais nomes na luta pelos direitos civis dos negros, lutando ao lado de Martin Luther King Jr. e Malcolm X, uma grande poeta e escritora, historiadora, dançarina, atriz, produtora de TV entre várias outras profissões. Como a maioria das mulheres ao redor do planeta, Maya precisou se desdobrar e enfrentar a opressão masculina para se estabelecer na vida e promover uma boa qualidade de vida aos seus filhos.

Maya faleceu em 2014, aos 86 anos, mas deixou um legado de inspiração a todas às mulheres e, por que não, aos homens, sobre igualdade, respeito e amor ao próximo, independentemente de raça, gênero, condição social ou o que quer que seja.

Via Papelpop