Culpado ou inocente?

Conta uma lenda da tradição sufi, que um homem fora condenado injustamente e colocado diante de um júri. Muitas coisas contavam contra ele, principalmente a indiferença daquele que iria julgá-lo. Quando o juiz perguntou o que tinha a dizer em sua defesa, o homem respondeu:

– Sou inocente!

Pois bem, disse o juiz, falam por aí que és um sábio. Vou dar-lhe a oportunidade de provar sua sabedoria e absolver a si mesmo. Escreverei em dois pedaços de papel os veredictos. Num pedaço de papel vou escrever inocente e no outro culpado e vou colocá-los sobre a mesa. Você usará sua sabedoria e escolherá um. Assim o veredicto dependerá de sua escolha.

Os presentes acharam justa a decisão do juiz. O que eles não sabiam é que o juiz escreveria culpado nos dois pedaços de papel. E assim foi feito.

O juiz colocou os dois pedaços sobre a mesa e pediu ao homem que escolhesse um e que este seria o seu veredicto, escolhido por ele mesmo.

O sábio homem percebendo algo estranho no juiz que não lhe inspirava confiança, pegou um dos pedaços de papel, enfiou-o na boca e engoliu.

O juiz, atônito, perguntou:

– O que é isso? O que fizeste? Como vamos saber agora o que estava escrito no papel que você engoliu?

O homem respondeu:

– Reconhecendo a grandiosidade de meu julgador, basta abrir o papel que restou sobre a mesa e lê-lo, uma vez que em um estava o veredicto de culpado e no outro o de inocente. Bastará ler o que restou e saberemos que engoli o veredicto contrário do que engoli. Se estiver escrito inocente, então sou culpado e, se no papel que restou estiver culpado, então engoli aquele que me inocenta.

Conta a lenda que o homem foi absolvido de todas as acusações.

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1º de Janeiro – Hoje

Hoje não é o primeiro dia do ano para os maias, os judeus, os árabes, os chineses e outros muitos habitantes deste mundo.

A data foi inventada por Roma, a Roma imperial, e abençoada pela Roma vaticana, e acaba sendo um exagero dizer que a humanidade inteira celebra esse cruzar da fronteira dos anos.

Mas uma coisa, sim, é preciso reconhecer: o tempo é bastante amável com a gente, seus passageiros fugazes, e nos dá permissão para crer que hoje pode ser o primeiro dos dias, e para querer que seja alegre como as cores de uma quitanda.

Eduardo Galeano in “Os Filhos dos Dias”

Como ser livre

Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo – quando o homem se ergue a este píncaro, está livre, como em todos os píncaros, está só, como em todos os píncaros, está unido ao céu, a que nunca está unido, como em todos os píncaros.

– Fernando Pessoa in “Teoria da Heteronímia”

 

Enchemos a vida

enchemos a vida
de filhos
que nos enchem a vida

um me enche de lembranças
que me enchem
de lágrimas

uma me enche de alegrias
que enchem minhas noites
de dias

outro me enche de esperanças
e receios
enquanto me incham
os seios

Alice Ruiz in “Paixão xama paixão”

O medo

“O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”

Clarice Lispector in “Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”

Hoje Clarice faria 98 anos.
E que linda homenagem do google, de quem, salvei o doodle.

O caminho da serpente

Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei.

Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto reto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi.

Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.

E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora”

– Fernando Pessoa in “O Caminho da Serpente”

Nova Refutação do Tempo

“O tempo é a substância de que sou feito.
O tempo é um rio que me arrasta, mas eu sou o rio;
é um tigre que me destroça, mas eu sou o tigre;
é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo”

– Jorge Luís Borges in “Obras Completas”.

Os que passam

Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado

Alice Ruiz in “Dois em um”

 

Insert Planner – o desafio

Como eu disse no post anterior, resolvi ter um planner. Depois de muitas dúvidas, comprei 3 versões para experimentar: um pronto da tilibra (tão fininho, tadinho), um em espiral (não tenho furador adequado!) e um mini fichário lilás (queria preto ou marrom, pra gente grande, mas… :p)

Enfim, tudo isso para personalizar meu próprio insert. Os inserts são as páginas da agenda.

Descobri que existem basicamente dois tipos prontos gerais: os “fofíneos” e os minimalistas. Optei pelo minimalista porque é maior a possibilidade de deixar “fofíneo”.

Fiquei horas e horas no instagram e me encantei com o leque de opções da “peanuts co“, que são bem básicos. Eles possuem até uma página com uma folha teste para você imprimir e ver se serve no seu planner. Infelizmente, já imprimi 3 modelos diferentes e nenhum serviu pelas marcações de corte deles.

Porém, como eu disse anteriormente, a intenção de comprar um planner no estilo fichário era exatamente personalizar meus inserts. E novamente, depois de ver muitos vídeos e testar programas como o excel, word e photoshop, acabei por achar que o power point foi o que melhor atendeu minhas expectativas. Ainda estou com dificuldade para diminuir a altura das linhas de algumas tabelas, mas fora isso, tem dado certo.

Então, ontem, depois de imprimir algumas amostras para verificar o tamanho da fonte (porque na tela fica tudo lindo e perfeito), finalmente, imprimi minhas primeira folhas para usar de verdade!

Também deu certo o tamanho e o corte no estilete e a furação furo-a-furo (comprei um furador de um furo só! Nem sabia que existia!!)

Ainda precisa de alguns ajustes pois não planejei a frente e o verso, aí as folhas ficaram descasadas, mas fora isso, já dá pra usar!

A próxima tarefa, além de ajustar os arquivos para frente e verso, é aumentar os tipos de inserts. Depois, divisórias e adesivos.

Sigamos a vida. o/

Resolvi ter um Planner!

Dia desses o instagram me sugeriu um vídeo do tal caderno inteligente. Fiquei impressionada por ele permitir trocar as folhas de lugar, já que a furação e os arcos que seguram as folhas são projetados exatamente para isso.

Depois desse vídeo, meus dias não foram os mesmos!

Pesquisando, descobri que existe um mundo secreto maravilhoso dos planners. E quando entramos nele, somos Alice caindo pela toca do coelho!

O planner nada mais é que aquela agenda preta com ferragens de fichário que eu ganhei da minha madrinha quando tinha 18 anos. Era meu primeiro emprego, carregava a agenda pra cima e pra baixo. Perdi os inserts, já que as datas estava impressas e os dias em branco. Mas só no papel! Porque a vida, era toda novidade.

Depois de um tempo, dei um uso pra agendinha preta. Virou extrato bancário, pra eu organizar minhas dívidas. Tinha que ser tudo contadinho na ponta do lápis, afinal, não era fácil administrar os duzentos reais que eu ganhava na época. Lembro como se fosse hoje, que com o meu primeiro pagamento comprei um perfume da Boticário. Custou-me quase metade do salário, mas foi o primeiro item que comprei com o meu suor.

Mas nunca me esqueço da facilidade da agenda, de criar minhas folhas coloridas: todas numa cor só. Não dava pra exigir muito das papelarias e muito menos do meu salário. Porém, me foi útil por muito tempo, até que a capa desgastou, assim como vieram os computadores e as planilhas de excel – minha vocação verdadeira.

O fantasma da agendinha invocado pelo caderno inteligente me assombrou até que decidi: vou ter um planner no próximo  nesse ano!

Mas essa decisão, foi só o princípio do fim. Comprei argolas soltas, como os de uma colega que usava no fichário da faculdade. Mas achei muito desestruturada. Depois achei uma pasta com espiral A5, na Daiso – aquela perdição de coisas lindas e fofas que custam 7,99 cada. E por fim, comprei um fichário tamanho A6 na cor lilás.

Meu sonho mesmo era uma agenda de couro, no estilo fichário, dessas marcas chiques no mundo dos planners. Mas ainda não estou podendo querendo investir 300 dólares numa dessas.

Com a nova agendinha na mão, tenho um novo desafio: e as folhas?

Fica pra uma próxima conversa. 😉