Mensagem para a Lua

Em 1969 os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, da Apolo 11, estavam treinando em um deserto remoto no oeste dos Estados Unidos, lar de comunidades indígenas.

Um dia, enquanto estavam treinando, os astronautas se depararam com um velho índio. O homem lhes perguntou o que eles estavam fazendo lá. Eles responderam que eram parte de uma expedição de pesquisa que em breve viajaria para explorar a Lua. Quando o velho escutou isso, ficou em silêncio por alguns instantes e então perguntou aos astronautas se eles poderiam lhe fazer um favor.

– O que você quer? – eles perguntaram.

– Bem, disse o velho, as pessoas da minha tribo acreditam que a Lua é habitada por espíritos sagrados. Eu estava pensando se vocês poderiam transmitir a eles uma mensagem importante do meu povo.

– Qual é a mensagem? – os astronautas perguntaram.

O homem proferiu algo em sua língua tribal e então pediu que os astronautas repetissem de novo e de novo, até memorizarem corretamente.

– O que significa? – os astronautas perguntaram.

– Ah, não posso lhes dizer. É um segredo que só a nossa tribo e os espíritos da Lua podem saber.

Quando voltaram à base, os astronautas procuraram e procuraram até que encontraram alguém que sabia falar a língua tribal e lhe pediram para traduzir a mensagem secreta.

Quando repetiram o que haviam memorizado, o tradutor começou a gargalhar. Quando se acalmou, os astronautas perguntaram o que significava.

O homem explicou que a frase que eles memorizaram com tanto cuidado queria dizer:

“NÃO ACREDITE EM UMA ÚNICA PALAVRA DO QUE ESSAS PESSOAS ESTÃO LHE DIZENDO. ELES VIERAM ROUBAR SUAS TERRAS”.

Yuval Noah Hariri in “Sapiens – Uma breve história da humanidade”

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Perfil e-talent: Orientador

Você tem a capacidade de aprofundar o conhecimento, sistematizá-lo e passá-lo adiante. Muitos são aqueles que sabem em profundidade, mas não sabem transmitir. Muitos também são os que sabem e não se comunicam bem com as pessoas para gerar um clima de aceitação e motivação em torno do que precisam aprender. Você sabe facilitar o aprendizado por mais técnico que ele seja. Sabe entender e ouvir as pessoas, além de chegar até elas de forma diplomática e amável, porém mantendo a distância e o respeito necessários ao bom educador. Você tem o tempero certo entre o contato e o afastamento, e entre o envolvimento e o distanciamento. Isso faz com que seja a autoridade amada pelos que têm o privilégio de serem educados por você. Para você, leis e padrões foram feitos para serem cumpridos.

Estou novamente naquela fase da vida, de inquietação.
Acabei fazendo esse teste e fiquei feliz com o resultado.

Seja um poema

Quando escrevo, revivo tudo
cada pedacinho do que vi
agora, vai para fora
em uma mistura de verbos, adjuntos e pronomes
que parece, só parece
mas é real pra mim.

Quando escrevo não sou metade
nem que eu queira
tudo de mim vai junto
até muitas vezes o que eu queria guardar
no mais profundo
só vai
Então eu deixo ir ao desconhecido
e aí que me conheço.

Quando escrevo, uma parte minha pensa e outra sente
intensamente.
Quando vivo só sinto e esse é o problema.
Escrever é a chance que a razão me dá para pensar
afinal, também é preciso.

Quando escrevo, cada palavra sai em seu devido lugar
Já quando falo ou penso, ela se embaralha
E chego até a engasgar e me atropelar.

Quando escrevo sinto tudo junto, com todos os sentidos
Escuto o som de uma risada gostosa em cada canto
O choro com o sentimento que cada vírgula tem.

Quando escrevo, eu crio.
Tem o privilégio de ser maior, de aceitar mais,
querer menos e amar inteiramente
o que já um dia, pode vir a me magoar
porque quando escrevo eu aprendo
com cada palavra amiga minha que eu nem sabia.
Cada frase da rotina sem graça qualquer frase de desamor
e até um dia nublado e sem vida
quando se escreve tudo ganha cor

Quando escrevo posso corrigir,
admitir e posso melhorar
posso ser mais do que sou
ou posso ver mais da vida ao meu redor
e ter mais amor

É preciso ter coragem de viver para escrever e
escrever pra viver
É o que o meu coração pensou
E a minha mão às vezes deixa escapar
Escrever é a chance que a vida me dá
de me conhecer e me reconhecer no outro ainda mais.

Isa Ribeiro (via youtube)

Mural

Recolhe do ninho os ovos
a mulher
nem jovem nem velha,
em estado de perfeito uso.
Não vem do sol indeciso
a claridade expandindo-se,
é dela que nasce a luz
de natureza velada,
seu próprio gosto
em ter uma família,
amar a aprazível rotina.
Ela não sabe que sabe,
a rotina perfeita é Deus:
as galinhas porão seus ovos,
ela porá sua saia,
a árvore a seu tempo
dará suas flores rosadas.
A mulher não sabe que reza:
que nada mude, Senhor.

Adélia Prado in “Poesia Reunida”

Mulher Fenomenal

Lindas mulheres indagam onde está o meu segredo
Não sou bela nem meu corpo é de modelo
Mas quando começo a lhes contar
Tomam por falso o que revelo

Eu digo,
Está no alcance dos braços,
Na largura dos quadris
No ritmo dos passos
Na curva dos lábios
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu

Quando um recinto adentro,
Tranqüila e segura
E um homem encontro,
Eles podem se levantar
Ou perder a compostura
E pairam ao meu redor,
Como abelhas de candura

Eu digo,
É o fogo nos meus olhos
Os dentes brilhantes,
O gingado da cintura
Os passos vibrantes
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu

Mesmo os homens se perguntam
O que vêem em mim,
Levam tão a sério,
Mas não sabem desvendar
Qual é o meu mistério
Quando lhes conto,
Ainda assim não enxergam

É o arco das costas,
O sol no sorriso,
O balanço dos seios
E a graça no estilo
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal
Assim sou eu

Agora você percebe
Porque não me curvo
Não grito, não me exalto
Nem sou de falar alto
Quando você me vir passar,
Orgulhe-se o seu olhar

Eu digo,
É a batida do meu salto
O balanço do meu cabelo
A palma da minha mão,
A necessidade do meu desvelo,
Porque eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu

Maya Angelou in “Esquadros”
Tradução de Rita Cammarota

Culpado ou inocente?

Conta uma lenda da tradição sufi, que um homem fora condenado injustamente e colocado diante de um júri. Muitas coisas contavam contra ele, principalmente a indiferença daquele que iria julgá-lo. Quando o juiz perguntou o que tinha a dizer em sua defesa, o homem respondeu:

– Sou inocente!

Pois bem, disse o juiz, falam por aí que és um sábio. Vou dar-lhe a oportunidade de provar sua sabedoria e absolver a si mesmo. Escreverei em dois pedaços de papel os veredictos. Num pedaço de papel vou escrever inocente e no outro culpado e vou colocá-los sobre a mesa. Você usará sua sabedoria e escolherá um. Assim o veredicto dependerá de sua escolha.

Os presentes acharam justa a decisão do juiz. O que eles não sabiam é que o juiz escreveria culpado nos dois pedaços de papel. E assim foi feito.

O juiz colocou os dois pedaços sobre a mesa e pediu ao homem que escolhesse um e que este seria o seu veredicto, escolhido por ele mesmo.

O sábio homem percebendo algo estranho no juiz que não lhe inspirava confiança, pegou um dos pedaços de papel, enfiou-o na boca e engoliu.

O juiz, atônito, perguntou:

– O que é isso? O que fizeste? Como vamos saber agora o que estava escrito no papel que você engoliu?

O homem respondeu:

– Reconhecendo a grandiosidade de meu julgador, basta abrir o papel que restou sobre a mesa e lê-lo, uma vez que em um estava o veredicto de culpado e no outro o de inocente. Bastará ler o que restou e saberemos que engoli o veredicto contrário do que engoli. Se estiver escrito inocente, então sou culpado e, se no papel que restou estiver culpado, então engoli aquele que me inocenta.

Conta a lenda que o homem foi absolvido de todas as acusações.

1º de Janeiro – Hoje

Hoje não é o primeiro dia do ano para os maias, os judeus, os árabes, os chineses e outros muitos habitantes deste mundo.

A data foi inventada por Roma, a Roma imperial, e abençoada pela Roma vaticana, e acaba sendo um exagero dizer que a humanidade inteira celebra esse cruzar da fronteira dos anos.

Mas uma coisa, sim, é preciso reconhecer: o tempo é bastante amável com a gente, seus passageiros fugazes, e nos dá permissão para crer que hoje pode ser o primeiro dos dias, e para querer que seja alegre como as cores de uma quitanda.

Eduardo Galeano in “Os Filhos dos Dias”

Como ser livre

Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo – quando o homem se ergue a este píncaro, está livre, como em todos os píncaros, está só, como em todos os píncaros, está unido ao céu, a que nunca está unido, como em todos os píncaros.

– Fernando Pessoa in “Teoria da Heteronímia”

 

Enchemos a vida

enchemos a vida
de filhos
que nos enchem a vida

um me enche de lembranças
que me enchem
de lágrimas

uma me enche de alegrias
que enchem minhas noites
de dias

outro me enche de esperanças
e receios
enquanto me incham
os seios

Alice Ruiz in “Paixão xama paixão”

O medo

“O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”

Clarice Lispector in “Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”

Hoje Clarice faria 98 anos.
E que linda homenagem do google, de quem, salvei o doodle.